Pelo menos 223 dos 307 contratos para obras emergenciais sem licitação realizadas na gestão de Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo, trazem indícios de combinação de preços entre empresas concorrentes. A reportagem exclusiva do UOL Prime que revelou a informação não teve como ponto de partida uma apuração sobre indícios de falta de competição em contratos públicos. No início, ainda em 2023, a intenção era conseguir cópia de um relatório sigiloso do TCM (Tribunal de Contas do Município) que tratava dessas obras, para conhecer o que havia lá. De posse do documento, percebemos que era possível aprofundar nos temas do documento. Decidimos, então, visitar as sedes das empresas citadas e ir ver de perto a realidade de algumas obras, especialmente as de contenção de córrego. Algo não se encaixava: em um caso, a aparência da sede da empresa não batia com o porte dos contratos assinados; em outro, a sede da empresa estava vazia, sem sinais de movimento de gente; em outros, duas ou três empresas contratadas para fazer obras emergenciais funcionavam no mesmo endereço. Decidimos, então, olhar em detalhes para os processos administrativos dos 20 maiores contratos. Ali já identificamos que parecia haver um padrão de não concorrência: três empresas eram convidadas, apenas uma oferecia desconto no BDI (termo usado na construção civil para os custos indiretos de uma obra) sugerido pela prefeitura. As outras duas deixavam de oferecer desconto relevante ou recusavam o convite. "Vamos ver se o padrão se repete nos 50 maiores contratos", nos perguntamos. O padrão se mantinha. "Que tal olharmos então os 307 contratos?", insistimos. LEIA A REPORTAGEM NO UOL PRIME |
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