Links do mês #122 e os 10 anos de newsletter 🥳Uma década enviando a news pelo simples prazer de enviar a news.
Vamos começar essa news comemorativa com um presente que eu ganhei do pessoal da Hug. Uma palestra que eu dei para a comunidade deles foi para o Youtube e agora vocês também podem assistir 🙌 Vocês acham que criatividade tem fórmula mesmo? Tem que ver o vídeo pra saber o que eu penso ;) Dez anos atrás eu tinha um blog. Para quem não lembra, um blog era um site onde você postava coisas. As redes sociais eram locais para postagem de fotos, mas textos grandes nasciam em blogs. Eu sempre gostei de compartilhar referências que eu encontrava e o blog por um bom tempo foi uma boa forma de divulgar meus textos e coisas incríveis que pipocavam pela internet. Tudo que eu encontrava que me fazia pensar “mais pessoas precisam saber disso”, iam para o blog. E era muito fácil divulgar esse canal: era só jogar os posts novos no Facebook ou no Twitter que as pessoas realmente clicavam no link. Com a invenção do feed algorítmico, tudo foi para o saco. Postar no Facebook ou Twitter não garantia nenhum clique, e o blog perdeu sentido de existir. A newsletter ainda era algo pouco disseminado, mas uma pessoa que eu admirava muito, a Tina Roth Eisenberg, tinha uma onde ela enviava links interessantes a cada X dias. Juntei os 15 links mais legais que eu tinha visto naquele abril de mandei no último dia do mês. Quem recebeu essa news foram as pessoas que haviam ajudado a financiar no Catarse o meu primeiro livro. Eu lembro que eu avisei: “gente, criei essa newsletter, acho que vou mandar e-mail todo mês, foi mal mandar sem avisar, vocês não precisam ficar aqui, ok?” Cara de pau? Sim. A gente precisa começar de alguma forma, né? Nasceu ali um projeto que eu tenho o maior prazer de fazer e que eu jamais imaginava que chegaria a fazer uma década de vida. E mais, que nunca me rendeu um único centavo. Na verdade, eu já cheguei a negar doações aqui no Substack. O amanhã é uma incógnita e a gente sempre pode mudar de opinião. Vai que do nada eu bombasse muito e tivesse a chance de transformar a news na minha renda principal, daí talvez eu poderia passar a ter a opção de cobrar. Mas, como projeto paralelo, acredito ser difícil eu abrir a possibilidade de monetização. Fica a pergunta: por que seguir em um projeto que toma tempo e dedicação sem o objetivo de fazer dele uma renda? Eu não vejo nenhum problema em as pessoas cobrarem para escrever, acho que isso é super normal. E eu cobro para escrever né, sempre cobrei. Seja como redator, roteirista ou escritor, escrever é um dos meus ganha-pães. Mas aqui, não. Aqui é um espaço diferente e onde eu me permito não fazer da news uma transação financeira. O motivo é que se eu cobrasse, três coisas aconteceriam: 1) O que hoje é uma diversão se tornaria obrigação 2) Eu não exploraria temas fora do comum 3) Eu seria muito mais crítico sobre cada texto e link Somam-se os três pontos e o processo que hoje é leve e fluido se tornaria pesado, travado, certamente com efeitos na minha saúde mental e humor. E não dá para tocar um projeto paralelo quando o ambiente não ajuda. Pelo menos não é assim que funciona comigo. É importante falar que algo poderia acontecer com vocês também: passar a enxergar essa troca como uma transação. A partir do momento que pagamos por algo, nossa relação com esse algo muda. Gosto muito do que o Clay Shirky traz no livro “A cultura da participação”, sobre como o dinheiro pode modificar comportamentos. Quando a gente coloca grana em uma relação baseada em reciprocidade e confiança, não estamos “complementando” essa relação, e sim substituindo ela por outra. Em contextos onde o dinheiro não faz parte da equação, as pessoas agem com base em reputação, reciprocidade e senso de pertencimento. Porém, quando colocamos um preço em um comportamento, sinalizamos que aquilo é uma troca e não uma relação, e isso elimina o motivo das pessoas serem generosas. Ao enxergarmos algo como troca (daí aqui já é minha opinião e não o que o autor falou), nossa cabeça começa a olhar na lógica custo-benefício. A cada news que eu mandar, sendo ela boa ou não, o cérebro vai pensar “valeu a pena / não valeu a pena”). Faz sentido? Terei que “conquistar” vocês todos os meses. Sem o dinheiro na mesa, quem não gosta taaanto pode ir ficando, e do nada é surpreendido com um texto legal, um link novo. E assim seguimos nessa relação com base na generosidade. A minha de escrever, a sua de “ouvir”. No seu tempo, sem culpa, sem pressão, sem cobrança, sem peso. Eu não imaginava chegar em 2026 ainda escrevendo a news quando comecei ela. Em um mundo onde as novidades digitais estão sempre surpreendendo, o e-mail não me parecia capaz de suportar a tempestade. Eu acredito que hoje, mais do que nunca, o email ainda é uma ferramenta importante e um canal confiável para seguir e acompanhar pessoas. Eu tenho a sorte de ter várias centenas de pessoas aqui do meu lado me acompanhando, e em troca eu me permito ser eu mesmo, fazendo um trabalho que acho genuíno e sincero. Eu gosto de compartilhar referências no meu tempo livre, e isso não é um produto. Menos que isso eu não estou disposto a oferecer. Obrigado por quem chegou em 2016 e ainda está por aí, obrigado por quem chegou ontem. É um prazer escrever para vocês. Espero que gostem dos links:
Oie. Meu nome é Luciano Braga. Sou realizador de diversos projetos criativos nas áreas da comunicação, comédia, ficção e impacto social. Boto minha energia em iniciativas que desafiam minha criatividade, que empoderam pessoas e que deixam um legado positivo no mundo. Quer me conhecer? Vem no meu Instagram.
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NEGA DA NET
domingo, 31 de maio de 2026
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sábado, 30 de maio de 2026
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