Bom dia!
Parece um filme de Sessão da Tarde. Na noite de ontem, o governo anunciou a demissão do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, colocando fim a um longo processo de fritura do CEO da estatal. A cadeira será ocupada pela engenheira Magda Chambriard, que foi presidente da ANP durante a gestão Dilma Rousseff.
Investidores não estão exatamente preocupados com as credenciais da nova CEO da Petrobras. O que está em jogo mesmo é a interferência política pesada na estatal. A União é acionista controladora da companhia e tem poder para tomada de decisões. É do jogo. E, sob a batuta do governo Lula, o plano era acelerar os investimentos, inclusive em áreas que fracassaram no passado, como estaleiros e refinarias.
O que cabe a investidores nessa situação é decidir se continuam a assistir a esse filme que eles acreditam já terem visto. A julgar pela reação do mercado financeiro após a demissão de Prates, investidores decidiram desligara TV. Os papéis da Petrobras negociados em Nova York chegaram a tombar mais de 10% nesta manhã, um sinal da debandada em reação ao anúncio. Às 7h33, caíam 8,57%. No mesmo horário, o EWZ, ETF que representa o Ibovespa em Nova York, recuava 1,78%.
Dá para esperar um dia bastante turbulento não só no Ibovespa, mas também nos mercados de câmbio e juros, já que a interferência na estatal tende a gerar um reação em outros mercados, não só nas ações. É como se houvesse uma súbita piora no risco-país, ainda que as coisas não sejam sempre tão diretamente relacionadas.
Isso sem falar na mensuração de riscos para a economia brasileira com o colapso climático no Rio Grande do Sul, que segue avançando. A capital gaúcha deve ficar pelo menos mais um mês embaixo d'água, o aeroporto, que tinha as operações suspensas até o fim do mês, agora está paralisado por tempo indeterminado.
Tudo num dia em que os futuros das bolsas americanas amanhecem na pasmaceira, esperando a divulgação da inflação oficial dos Estados Unidos em abril, medida pelo CPI. O dado sai às 9h30.
Investidores esperam que os preços tenham desacelerado para 3,4%, ante os 3,5% dos 12 meses até março. Descontados os preços mais voláteis de alimentos e energia, a expectativa é de inflação de 3,6%, abaixo dos 3,8% computados até março. Um dos motivos para a mudança de humores no mercado americano é a resiliência da inflação, que deve adiar os cortes de juros pelo Fed.
Ontem, o presidente do BC americano, Jerome Powell, discursou e voltou a afirmar que não antevê um novo aumento de juros nos EUA, como a ala mais pessimista chegou a aventar. Trata-se de um tema essencial para o avanço do Ibovespa. Hoje, porém, a Faria Lima terá assuntos domésticos ainda mais complexos para digerir. Bons negócios.
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