| Moda e saúde mental parecem temas totalmente desconectados. Mas foi combinando esses dois universos que Raiana Pires, 29, fundou a Psicotrópica. A marca de roupas cria as suas estampas com base em obras desenvolvidas por pacientes da rede de saúde mental, com transtornos como depressão, bipolaridade e esquizofrenia. O propósito da empresa é dar visibilidade e gerar renda para essa população historicamente estigmatizada e marginalizada. Segundo Raiana: "Mais do que vender roupas coloridas, queremos mostrar que, ao contrário do que muitos pensam, pessoas em tratamento psiquiátrico ou que passaram por hospitais psiquiátricos têm grande potencial artístico e produtivo e podem sim ser artistas" O interesse por moda e por questões sociais sempre existiu em Raiana. Enquanto cursava serviço social na Universidade Federal de Santa Catarina, ela mantinha um blog, o Psicotrópica, onde postava referências artísticas e divulgava roupas que ela mesma costurava. "Em 2012, fiz alguns cursos de corte e costura e, com 2 mil reais que tinha guardados, comecei a fazer e vender algumas blusas para amigas", diz Raiana. "Era tudo muito caseiro." Já seu interesse pela questão da saúde mental surgiu alguns anos mais tarde, em 2015, durante um estágio no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), equipamento do SUS focado no atendimento de pessoas com transtornos mentais. "As oficinas artísticas do CAPS chamavam muito a minha atenção. Vi nos pacientes um imenso potencial e comecei a estudar e entender que a expressão artística pode ser uma grande aliada no cuidado da saúde mental" |
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