Um engenheiro do Google foi afastado recentemente do trabalho após se convencer de que conversava com uma pessoa, devido à sofisticação do papo, e não com uma inteligência artificial. A alegação retorna a discussão sobre se máquinas podem ter consciência como humanos ou não. A empresa nega a afirmação feita pelo funcionário. Para Carlos Affonso de Souza, colunista de Tilt, ainda não chegamos no estágio de desenvolvimento da inteligência artificial em que as máquinas poderiam ter algo próximo de uma consciência própria. Segundo ele, o caso de Blake Lemoine, o tal engenheiro que ficou espantado quando a IA pediu para ser reconhecida como "um funcionário do Google, e não como uma propriedade", é didático. "Se, por um lado, nos encanta a sofisticação das aplicações de IA, é preciso sempre tentar enxergar o componente humano nessas histórias, recalibrando nossas expectativas sobre a relação entre pessoas e máquinas, além de nossa própria visão sobre o futuro", escreveu Carlos Affonso. O colunista não descarta que, no futuro, a questão da consciência da IA apareça para valer. No entanto, hoje, o que existem são ferramentas que estão cada vez melhores em assimilar um grande volume de dados e processar essas informações no contexto de um diálogo. A IA simplesmente processa uma quantidade gigantesca de conteúdos sobre, digamos, a autonomia das máquinas e consegue bater um papo sobre o tema com muita facilidade. O que não significa de forma alguma que tenha adquirido consciência. "Dito de outra forma, uma máquina que sabe conversar sobre a consciência das máquinas em primeira pessoa não significa que ela tenha, de fato, adquirido consciência", explicou o colunista. Claro que depois de toda essa história, sobra uma pergunta a ser respondida: quando saberemos se as máquinas estão apenas processando e recombinando informações às quais tiveram acesso ou efetivamente ganharam consciência? E aí? Se arrisca a responder? |
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