Um jogo da seleção brasileira pela segunda rodada das eliminatórias da Copa do Mundo provocou uma situação inédita e inusitada no mercado de televisão.
A Globo não chegou a um acordo com a Mediapro, empresa que negocia direitos de transmissão esportiva, para a compra de oito partidas da seleção como visitante nas eliminatórias. A empresa pediu US$ 20 milhões pelo pacote (ou cerca de US$ 2,5 milhões por jogo), valor que a emissora carioca não concordou em pagar.
A Globo tem acordo com a CBF para a exibição das nove partidas que a seleção fará no Brasil durante as eliminatórias e com a AFA para o jogo contra a Argentina no país vizinho.
Na manhã de terça-feira (13), horas antes da partida entre Peru e Brasil, Fabio Wajngarten, secretário-executivo do Ministério das Comunicações, disse que no Twitter que pediu à direção da Confederação Brasileira de Futebol para a TV Brasil transmitir a partida.
Às 19h50, 70 minutos antes do início do jogo, a CBF anunciou que, após uma negociação, conseguiu autorização para que Peru e Brasil fosse ao ar pela TV Brasil e pelo site da entidade. A nota oficial não informou o valor pago para realizar esta transmissão e fazer este agrado ao governo.
A TV Brasil, uma emissora pública, escalou a equipe que normalmente faz as transmissões do campeonato da Série D do Brasileirão - o narrador André Marques e o comentarista Marcio Guedes.
Em dois momentos, no primeiro e no segundo tempo, Marques saudou o presidente Jair Bolsonaro com "um abraço". O intervalo foi ocupado parcialmente por um boletim com notícias positivas sobre o governo.
Para a TV Brasil, que costuma ter números inferiores a 0,5 ponto, a audiência foi excepcional- média em São Paulo de 3 pontos, ficando à frente de Band, RedeTV! e Gazeta. É um resultado positivo também levando em conta a falta de tempo para promover a atração.
Mas é um número extremamente baixo para uma partida da seleção brasileira - quatro dias antes, na sexta-feira (9), a Globo registrou média de 27 pontos com a transmissão de Brasil e Bolívia pela primeira rodada das eliminatórias.
O esforço do governo Bolsonaro em conseguir exibir o jogo é um capítulo a mais em sua briga com a Globo. E fazer propaganda oficial durante a partida é um péssimo uso de uma TV pública e remete a momentos tristes da história do país. 
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