Se você mora numa cidade grande e sai de casa todos os dias, é provável que hoje mesmo uma van amarela do Mercado Livre tenha cruzado o seu caminho.
O logo inconfundível da empresa - um aperto de mãos em um círculo oval - tem se tornado onipresente na vida do brasileiro, uma decorrência de investimentos bilionários em publicidade e logística.
Criado na Argentina em 1999, o Mercado Livre está presente em 18 países da América Latina, e o Brasil é sua praça mais importante.
A operação brasileira é bem sucedida a ponto de especialistas afirmarem que, ainda este ano, a empresa dominará quase metade do segmento de e-commerce no país.
Curiosamente, o Mercado Livre tem desempenho extraordinário no mesmo cenário em que outras empresas do setor patinam.
No começo do ano, comecei a entrevistar gente do mercado financeiro, da universidade e do setor de varejo para tentar entender o motivo do sucesso do Mercado Livre.
Meus entrevistados foram unânimes em apontar a logística - uma operação impecável que faz com que os produtos cheguem rapidamente ao consumidor - como o principal ativo da empresa.
Uma tragédia, no entanto, me apontou outro caminho de investigação. Em fevereiro, a notícia do suicídio de um trabalhador terceirizado do Mercado Livre no galpão de Cajamar, região metropolitana de São Paulo, chamou a atenção para as condições de trabalho na empresa.
Entrevistei dez ex-funcionários do Mercado Livre que afirmam ter enfrentado problemas de saúde física e mental por causa do trabalho - e um levantamento do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia de São Paulo, feito a pedido do UOL, identificou que o Mercado Livre enfrenta uma avalanche de processos trabalhistas.
Por que a empresa cresce tanto no Brasil, e a que preço? Essa foi a pergunta que tentei responder.
LEIA A REPORTAGEM NO UOL PRIME |
Nenhum comentário:
Postar um comentário