Nos últimos anos, a Policia Rodoviária Federal criou câmara de gás em estrada, participou de operações em comunidades com saldo expressivo de mortes (24, na Penha, no Rio), tentou melar uma eleição e cruzou os braços quando bolsonaristas bloquearam estradas para tentar virar a derrota na urnas. No comando da corporação em 75% desses casos, estava Silvinei Vasques, talvez o maior responsável pela infiltração desabrida do bolsonarismo na PRF, que, por óbvio, não deveria ser uma polícia política. Hoje, ele foi preso preventivamente. Para Leonardo Sakamoto, "o processo de desbolsonarização da corporação não ocorrerá da noite para o dia. Mas uma investigação rigorosa e uma punição firme a Silvinei Vasques podem ajudar no processo de reestabelecimento do lugar previsto para a instituição na Constituição". Há quem veja na prisão um excesso. Reinaldo Azevedo discorda e aponta, não com achismos, mas na lei, os seus argumentos. Anderson Torres, Mauro Cid, Silvinei Vasques. Todos acreditaram na própria esperteza e acabaram presos, na avaliação de Matheus Pichonelli. Josias de Souza faz a pergunta inevitável: e Bolsonaro? Até agora, o capitão tem dito que não tem nada a ver com golpe nenhum e que espera que seus ex-comandados saibam se explicar. "No tempo em que o Brasil ainda tentava fazer algum sentido, os valores pareciam mais nítidos. Bolsonaro era um messias onipresente e personagens como Silvinei, Cid e Anderson eram meros paus-mandados. Subitamente, a nitidez perdeu a função. Nada é o que parece. O mito virou um antilíder", escreve o colunista. Para Tales Faria, a prisão do policial aperta o cerco contra seus ex-chefes Anderson Torres e Jair Bolsonaro. |
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