A crise do novo coronavírus mostrou a importância de se ter uma reserva emergência para cobrir despesas quando imprevistos reduzem ou até mesmo eliminam toda a renda de uma hora para outra. Mas como começar um investimento se o dinheiro está tão curto que você mal consegue cobrir o orçamento mensal? É um desafio, admitem especialistas, mas o surgimento de várias plataformas de investimento nos últimos anos e a recente queda dos juros no país permitiram o lançamento de diversos produtos que aceitam uma aplicação mínima baixa. Há instituições financeiras que oferecem aplicações em CDBs e fundos de investimento com um aporte inicial a partir de R$ 1. Aplicações com aporte inicial baixo são uma forma de apresentar o mundo dos investimentos a quem está começando a formar sua carteira de reserva, e a de longo prazo também. Sandra Blanco, estrategista-chefe da plataforma de investimentos Órama Como começar com R$ 1Títulos de renda fixa: Por esse valor, há títulos de instituições financeiras, como CDBs (Certificados de Depósito Bancários), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) ou LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), oferecidos por bancos tradicionais e digitais. Na plataforma de comparação Yubb, há papéis com rendimento bruto de até 3,1% ao ano. É uma variação baixa, mas é importante destacar, dizem consultores financeiros, que a taxa básica de juros (Selic) está em 2,25% ao ano, o que reduz o rendimento da renda fixa. Além disso, a inflação acumulada nos últimos 12 meses está em 2,13%, segundo o IBGE, o que limita a corrosão do rendimento. Há cobrança de Imposto de Renda sobre o rendimento. A alíquota varia conforme o tempo da aplicação. Quanto mais tempo o dinheiro ficar investido, menor a mordida do governo. - Até seis meses: alíquota é de 22,5%
- Até um ano: alíquota de 20%
- Até dois anos: alíquota de 17,5%
- Acima de dois anos: alíquota de 15%
Poupança: A caderneta de poupança não paga imposto, mas o rendimento é de apenas 70% da taxa básica de juros. Ou seja, cerca de 1,58% ao ano. Fundos de investimento: Empresas financeiras começaram a lançar fundos de investimento que permitem uma aplicação inicial de apenas R$ 1. Há desde produtos tradicionais, com baixo risco, como fundos de renda fixa que investem em títulos do governo, a fundos de ações, com mais risco. Há desconto de imposto, e alguns gestores cobram taxa de administração. Para quem economiza R$ 2 por diaCom R$ 60 ao fim de 30 dias, o investidor tem mais opções. Tesouro Direto: Os títulos do governo negociados na plataforma Tesouro Direto aceitam investimentos iniciais a partir de R$ 36,23, caso do Tesouro Prefixado 2023 que está rendendo 4,12% ao ano. O Tesouro Direto é um clássico quando o assunto é renda fixa. Possui opções como o Tesouro Selic, para quem está montando a reserva de emergência, e o Tesouro IPCA+, para quem pensa no longo prazo e tem como objetivo financeiro a formação de uma reserva para a aposentadoria. Carlos Terceiro, CEO da startup de gestão de finanças pessoais da Mobills Há mais outras oito opções de títulos, com aplicação inicial abaixo de R$ 60. Esses investimentos pagam Imposto de Renda e uma taxa de custódia de 0,25% ao ano para a B3, a Bolsa de Valores brasileira. Fundo de investimento: Há produtos que aceitam a partir de R$ 10, como o fundo Brasil Plural Firf Referenciado, na plataforma da Genial, e o fundo BTG Pactual Juros e Moedas. Opções com R$ 3,50 por diaCom aplicação inicial a partir de R$ 100, há títulos do Tesouro e centenas de fundos de investimentos oferecidos por bancos e corretoras. Tesouro Direto: Com aplicação mínima de R$ 106,50, o Tesouro Selic 2025 tem rendimento de Selic + 0,0344% ao ano. Ou seja, de cerca de 2,3% ao ano. Mais fundos: Aqui as opções se multiplicam. Há fundos de renda fixa, como o Modalmais Lion FI, um fundo multimercado que aplica em títulos públicos e crédito privado. Na renda variável, há carteira de ações, como o fundo Genial Ações FIC FIA, e fundos de ouro, como o Plural Ouro FIM. "As plataformas permitiram levar mais produtos e de mais qualidade a mais gente, graças aos ganhos de escala. Pedro Padrilha, responsável pela seleção de fundos da Genial Investimentos Primeiro a reserva, depois a diversificaçãoProfissionais de mercado destacam que o investidor iniciante deve buscar informações para começar suas aplicações. A recomendação mais comum é que a pessoa comece com ativos mais conservadores, de menor risco, como renda fixa. À medida que o dinheiro for crescendo, diversifique, aplicando em produtos de maior risco, como ações, por exemplo. "A renda fixa continua sendo a base de uma carteira", afirmou Sandra Blanco, da Órama. "O passo seguinte, depois de forma sua reserva de emergência, é sair dos investimentos [com rendimento atrelado ao] CDI e buscar a diversificação", afirmou Luis Gustavo Jorge Politi, sócio de desenvolvimento de negócios da Consulenza Investimentos. Pergunta da semanaO leitor João Marchezzi pergunta: "Tenho aplicação em torno de R$ 110 mil, sendo 90% disso em fundos DI e 10% na poupança. Quais seriam as aplicações com rendimentos melhores?" Existem investimentos com rentabilidades maiores do que as aplicações citadas. Mas primeiro é necessário que você faça uma análise do seu perfil de investidor (API) junto a seu banco ou corretora para, posteriormente, escolher produtos adequados aos seus objetivos e à sua tolerância a riscos. Os seus investimentos atuais (fundos DI e poupança) são conservadores, de baixo risco e atrelados à taxa Selic, que hoje está em 2,25% ao ano. Portanto, o retorno dos produtos será sempre próximo a esse patamar. Uma ressalva: se sua poupança tiver recursos aplicados antes de 3 de maio de 2012, eles seguem uma regra antiga, que garante mais rentabilidade. O rendimento nesse caso é de 0,5% ao mês + TR, o que é um investimento bem interessante neste momento de juros baixos. A resposta é de Brenno Irving Amaral Carmo de Lima, planejador financeiro certificado pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros). Leia também: Faça o teste de perfil de investidor e descubra a aplicação indicada a você Queremos ouvir vocêTem alguma dúvida ou sugestão sobre investimentos? Mande um email para uoleconomiafinancas@uol.com.br |
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