"Ele não dormia e me obrigava a fazer tudo. Não podia dormir e desenvolvi problema de insônia. Também não podia me alimentar na hora que precisava. Me sentia em um cativeiro" - depoimento de uma das vítimas de Saul Klein ao qual Universa teve acesso Saul Klein, filho do fundador das Casas Bahia Samuel Klein, foi acusado de estupro por mais de 30 mulheres. Em uma apuração exclusiva, a repórter de Universa Camila Brandalise, em parceria com o jornalista Pedro Lopes, produziu uma série de matérias sobre o esquema de abusos cometidos pelo empresário, que aliciava jovens nas redes sociais, obrigava muitas delas a se doparem e submetia as garotas a jogos de humilhação, como transar com outras mulheres na frente de estranhos, além de violência física. Na news dessa semana reunimos todas as matérias feitas por Universa sobre o assunto. São reportagens que abordam desde o processo de aliciação das vítimas até os traumas e problemas psiquiátricos que as jovens enfrentam atualmente: - As jovens eram escolhidas através das redes sociais. Elas recebiam propostas de agenciadoras para trabalharem como modelos, fazer presença VIP em eventos e atuar como acompanhantes de um "empresário". Depois, eram submetidas a um processo de seleção com o próprio Klein. Clique aqui para ler mais detalhes de como funcionava o esquema de aliciação do milionário. - Os abusos físicos e psicológicos causaram sérios danos psiquiátricos nas jovens. "Eu vou levar essa história para sempre na minha cabeça, como tenho trazido nos últimos anos. Sonhos lúcidos, aterrorizantes, todos os dias. E não tem remédio que tire isso", contou uma das vítimas de Klein, uma mulher de 23 anos que chegou a pesar 32 quilos, em depoimento à Justiça. - Sabrina* (nome fictício) era uma das preferidas de Klein. Recrutada na escola aos 17 anos, ela se matou aos 22, após passar anos ao lado de Saul. Universa teve acesso exclusivo a mensagens em que a jovem conta estar com dor no útero depois de enfrentar uma sequência de abusos. Confira mais. - Universa também teve acesso a um vídeo em o empresário afirma ter pago mais de R$ 800 mil a cada uma das vítimas em troca de seus silêncios. A informação foi concedida pelo próprio Saul, que declarou um patrimônio de R$ 61,6 milhões à Justiça Eleitoral em 2020. Veja a gravação do depoimento do herdeiro ao Ministério Público. Camila Brandalise, jornalista responsável pelo especial, conta que passou cerca de 3 meses debruçada sobre o material para produzir as reportagens. "Tive acesso a relatos dolorosos e que me marcaram muito. Como separamos a história em vários textos, precisei dividir o conteúdo por temática, o que demandou mais tempo: os depoimentos de quem era abusada já no primeiro encontro, as falas das que sofriam violência físicas, das que enfrentam problemas psiquiátricos, etc. Eu cheguei a sentir uma mal-estar físico produzindo o especial", detalha a repórter, que acrescenta: "Se eu pudesse definir o meu sentimento em uma palavra, diria que me senti sufocada. Cheguei a sonhar com essas histórias, acordava no meio da noite pensando no tema". - Para Camila, esse mal-estar e a sensação de impotência só aumentaram depois da decisão da Justiça, que, em fevereiro deste ano suspendeu as medidas de afastamento que já haviam sido cedidas anteriormente. A advogada especialista em violência contra mulher e colunista de Universa, Isabella Del Monde, escreveu um texto sobre "como o caso Saul Klein escancara a importância de canais alternativos de denúncia". Denunciar, é claro, só faz sentido quando a Justiça também faz sua parte. Nós encerramos a news desta semana reconhecendo a coragem das vítimas que se manifestaram e dos jornalistas que investigaram o tema. Violência contra mulher é assunto de todos. 
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