Para deter 13 manifestantes que protestavam contra o aumento das tarifas de trem e metrô, a polícia de São Paulo os acusou de abolição violenta do estado democrático de direito, mesmo crime pelo qual foram condenados participantes dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Para Pablo Ortellado, professor de políticas públicas da USP, misturar as duas coisas (o protesto contra aumento de tarifas e os ataques violentos à democracia) "tem cara de perseguição e abuso". Ele lembrou, em entrevista a Leonardo Sakamoto, que os acampamentos de bolsonaristas em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo e em frente à sede do Comando Militar do Sudeste, pedindo intervenção militar no país, foram situações em que havia mais cabimento gerar prisões por abolição do estado democrático de direito. Em nenhum deles houve prisões. Sakamoto lembra que a polícia paulista está sob o comando do governador Tarcísio de Freitas e do secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, ambos aliados de Jair Bolsonaro. O tema também foi assunto do UOL News. O colunista Josias de Souza apontou que é um desejo antigo do bolsonarismo enquadrar movimentos sociais e manifestações como atos de terrorismo. Ele classificou como "piada de mau gosto" a justificativa dada para a prisão dos manifestantes do ato contra o aumento das passagens em São Paulo. "Neste caso, é preciso tratar a polícia como caso de polícia. Se o governador Tarcísio de Freitas tiver respeito por sua biografia, a despeito do seu bolsonarismo, enquadraria a polícia. Não se pode permitir que a polícia incorra em uma ação ridícula sem uma reação do governo", comentou Josias. |
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