Na praia, na escola dos filhos e até no Vaticano, é fato: o corpo feminino incomoda. Só nas últimas semanas, contamos aqui, em Universa, pelo menos três histórias de mulheres que foram constrangidas, atacadas e até presas e algemadas porque, de alguma forma, seus corpos incomodaram. - Beatriz foi presa e teve os pés algemados porque fazia topless em uma praia do Rio de Janeiro, mesmo que a prática não seja crime. - Vanesa virou alvo de críticas de outras mães quando foi buscar o filho na saída da escola usando uma roupa de academia - detalhe: ela é fisiculturista, ou seja, estava usando sua roupa de trabalho. - Julia foi barrada por seguranças durante uma visita ao Vaticano porque, segundo eles, a roupa que usava, um vestido que deixava apenas uma parte da coza à mostra e botas de cano alto, era inadequada. Se essas mulheres, todas brancas e magras, sofreram com a pressão sobre seus corpos, em Belo Horizonte, um grupo de mulheres gordas foi às ruas por um motivo ainda mais sério: seus corpos sequer cabem em espaços públicos, como o ônibus. O movimento Vai Ter Gorda, liderado pela ativista Adriana Santos, decidiu se manifestar depois que uma delas ouviu comentários maldosos da cobradora do ônibus em que tentou entrar, mas não conseguiu passar pela catraca. "Em 2017, um motorista se recusou a abrir a porta de desembarque para eu entrar com meu bebê", lembra. "São milhares de mulheres que, todos os dias, passam por constrangimentos. Muitas preferem nem pegar mais o transporte público por causa destas situações." Um corpo feminino incomoda muita gente. Um corpo gordo incomoda muito mais. Mas até quando? |
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