Na esteira do inquérito contra o youtuber Felipe Neto por ter chamado o presidente Jair Bolsonaro de genocida, o colunista Rubens Valente nos conta uma história interessante. O ministro André Mendonça (Justiça e Segurança Pública) ordenou que a Polícia Federal abrisse inquérito para investigar um sociólogo e um microempresário por duas placas de outdoor com críticas a Bolsonaro. Uma das mensagens, instaladas em agosto numa avenida de Palmas, diz que Bolsonaro vale menos que um "pequi roído", o que significa algo sem valor ou importância. O inquérito foi determinado pelo ministro em dezembro e aberto em 6 de janeiro último por um dos setores mais influentes da direção-geral da Polícia Federal em Brasília, a DIP (Diretoria de Inteligência Policial), por meio da sua Divisão de Contrainteligência Policial. Os dois investigados são o sociólogo Tiago Costa Rodrigues, 36, que é secretário de formação do PCdoB em Tocantins e mestrando na UFT (Universidade Federal do Tocantins), e Roberval Ferreira de Jesus, 58, dono de uma microempresa de outdoors que disse só ter sido contratado para a locação do espaço e não participado da elaboração da peça. O perfil de Rodrigues na rede social Twitter foi monitorado pela DIP, que copiou 12 postagens e as incluiu na investigação. A PF já havia feito uma análise da manifestação e opinado pelo arquivamento. Segundo o sociólogo, a ideia surgiu porque militantes bolsonaristas espalharam placas em municípios de Tocantins com mensagens de apoio a Bolsonaro. A ideia era fazer um contraponto. "A ideia foi dizer que é um governo que não age no combate à pandemia. Isso do pequi é uma expressão regional. Algo que é ineficaz, não está valendo para nada, não está surtindo efeito. Minha opinião sobre o que o Bolsonaro está fazendo na pandemia é a de vários brasileiros. Estamos vendo as consequências disso. É um governo que não está atuando de maneira eficaz, isso que o outdoor dizia", afirmou Rodrigues. Procurado, o Ministério da Justiça não se manifestou.

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