O leitor desta newsletter sabe que estamos no meio de um processo drástico de transformação na maneira de assistir televisão. A revolução digital oferece a possibilidade de consumir produtos audiovisuais pela internet, em diferentes plataformas, e os serviços de streaming oferecem opções cada vez maiores de conteúdo. A Netflix, principal empresa de streaming do mundo, foi pioneira ao quebrar com o modelo de grade de televisão, que obriga o espectador a ver os programas nos dias e horários determinados pelo canal. Hoje você pode assistir a cinco episódios de uma série em sequência ou apenas 15 minutos e parar para ver o resto depois. Essa quebra de paradigma teve uma reviravolta supreendente esta semana quando a Netflix anunciou o lançamento de um projeto experimental aos seus clientes na França. Chama-se Direct e é uma espécie de canal de televisão com filmes e séries encadeados, selecionados do catálogo da Netflix. Só é possível assiná-lo pela internet. A empresa parece vislumbrar o interesse de assinantes em assistir a conteúdos selecionados para eles em vez de ficar procurando o que ver. "Talvez você não esteja com vontade de decidir, ou seja novo e esteja ainda se orientando, ou apenas queira ser surpreendido por algo novo e diferente", diz a Netflix ao promover o canal. O jornal francês "Libération", ao anunciar a novidade, fez uma piada boa: "E paf! Netflix inventa a televisão". O novo produto, de fato, significa um olhar para trás, talvez buscando reviver algo que está se perdendo, que é a experiência de ver algo na televisão ao mesmo tempo que outras pessoas. O resultado deste novo (velho) produto pode indicar os caminhos a seguir na guerra de streaming. 
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