Bom dia! Ainda de ressaca da festa da democracia? O Brasil foi novamente às urnas neste fim de semana após uma campanha atípica, em que muitos candidatos focaram em lives e vídeos de TikTok para um "corpo a corpo" à distância. Em muitas cidades, a abstenção foi recorde e algumas disputas podem ter sido decididas justamente pelos eleitores mais jovens. Com crônicas e reportagens, o TAB essa semana reflete sobre o momento — do papamóvel de Luiza Erundina em São Paulo ao jingle cheio de fofocas que causou a maior resenha em Pendência (RN). Agora, numa pesquisa espontânea, só deu ela, a Rita, que tomou as redes sociais e as rádios, ao não baixar a cabeça e dar uma facada num cabra. Pode parecer pesado, mas esse é o hit do momento... Apartidários com causaA política tradicional não parece, à primeira vista, um lugar acolhedor os jovens brasileiros com menos de 25 anos, mas isso tem mudado. Eles discutem nas redes temas como meio ambiente, feminismo, racismo e questões LGBTQI+, mas passam longe de vestir a camisa de um partido. Na cidade de São Paulo, a eleição da vereadora Erika Hilton e a expressiva votação em Guilherme Boulos (ambos do PSOL) são exemplo de como as campanhas foram impactadas pela adesão dos novinhos. O tema também aparece na estreia do novo podcast do TAB, o CaosCast, que busca questionar e entender os temas que fazem a cabeça dos brasileiros. Ouça aqui o primeiro episódio; sai toda quinta-feira. No papamóvel da ErundinaAos 85 anos, a ex-prefeita de São Paulo (e primeira mulher a assumir o cargo na cidade) voltou às ruas. Vice do candidato Guilherme Boulos (PSOL), ela deve voltar em breve à sua gaiola — uma caixa de acrílico que a protege da Covid-19 durante as carreatas. Acompanhamos um dia de campanha a bordo do "papamóvel" de Erundina, que dá todo um ar de "beatificação". A emoção entre os apoiadores é nítida, mas, ao redor, os eleitores não estão muito animados com a eleição este ano. Saiba como foi esse rolê. Discursa que eu te escutoMáscara ou focinheira? Vacina chinesa ou CoronaVac? #ficaemcasa ou #obrasilnaopodeparar? Na internet, parece que falamos coisas diferentes na hora de defender uma visão de mundo, e uma nova pesquisa aponta que isso pode mesmo ser verdade. Usando inteligência artificial, foi descoberto que direita e esquerda usam termos diferentes para debater as mesmas notícias em comentários no YouTube. E isso pode explicar um pouco para onde caminha a política brasileira. Leia mais aqui. Onde os jingles querem guerraA gente já falou aqui do poder dos jingles e das músicas populares na corrida eleitoral, mas não é apenas de "O Homem Disparou" que se vive uma campanha. Em Pendências, no Rio Grande do Norte, a disputa contou com paredões de som e a popularização dos "jingles de ódio". Um, em específico, contava fofocas sobre o prefeito da cidade. Não deu outra: a musiquinha ganhou as redes sociais. Ouça e conheça a história. Quem é Rita?Se tem um nome que o brasileiro reconhece, mesmo sem saber o rosto, é Rita. A música do baiano Tierry narra um homem arrependido que pede para a tal moçoila voltar para casa, mesmo depois de uma facada. Apesar de narrar um episódio violento, a história está na boca do povo, seja no TikTok ou nas rádios. Para o compositor, que bebe de fontes tão heterodoxas como Marília Mendonça e Rogério Skylab, o drama e a sofrência do brasileiro não tem limites. Por isso mesmo ele vai a fundo nas metáforas, como em "Cracudo" e "Já Peguei Coisa Pior" (é, se você pensou em coronavírus, você está certo). "É o pré-sal da poesia", explica Tierry. Conheça a Rita e a cabeça desse hitmaker. Entre mansão e crente crushNada de "crush"; o negócio é entre varão e varoa. E treta, aqui, só se for com xingamentos como "atribulada de espírito", "perturbadora de Israel" e "mula de Balaão". É assim o repertório de humor evangélico, que têm ganhado milhares de seguidores ao brincar com o comportamento de jovens religiosos e o dia a dia na igreja. Nessa onda de famosos internéticos, também visitamos uma das mansões de TikTokers, onde por vontade (e vantagem) própria, estrelas da plataforma se confinam durante a pandemia para produzir conteúdo. O último dos moicanosA repórter Marie Declerq entrou de cabeça no universo cheio de circuitos, luzes coloridas, telas, sons e placares das máquinas de pinball. Quem comanda esse mundo particular é Antonio Carlos Spina, um dos últimos técnicos especializados em consertá-las no Brasil. Fizemos um passeio pelo clube onde essa arte sobrevive e ainda é possível viver como uma criança dos anos 1970 e 1980. Compre suas fichinhas e venha! DespedidaQueremos que essa semana seja boa aí, mas não podemos deixar de falar da despedida do Black. Companheiro, inteligente, sensível, brincalhão, destemido, carinhoso, todo-ouvidos: para moradores de um bairro em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Black era o cara — e merecia uma despedida à altura. Pegue o lencinho: essa é uma crônica de amor a um cãozinho amado por uma rua inteira. 
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