Bom dia, caros leitores! O ano está chegando ao fim e 2020 já começa a deixar aquele retrogosto agridoce nas nossas bocas. Nesta edição, te levamos para conhecer a cidade fantasma de Fukushima, devastada por uma tripla tragédia quase 10 anos atrás — e é no meio da pandemia que um novo desafio se impõe. Esse ano sui generis também balançou lados opostos da política: ameaça deixar os comunistas do ECLA (Espaço Cultural Latino Americano) de São Paulo desamparados e fez um jovem católico fervoroso se tornar um influenciador da direita. Se a coisa estiver muito amarga por aí, atualize suas receitas de sobremesas: a ninho-nutellização da confeitaria parece que veio para ficar. Cidade FantasmaÀs 14:46 de 11 de março de 2011, um terremoto de magnitude 9,1 estremeceu a província de Fukushima, no Japão. Quase dez anos depois da tragédia que resultou no pior desastre nuclear desde Chernobyl, o relógio e o calendário num colégio de Okuma, uma das cidades atingidas, ainda marcam essa data e horário: os dias passaram, mas o tempo parou. A repórter Juliana Sayuri e o fotógrafo Rodrigo Sicuro nos levam para passear na zona vermelha de Fukushima. Com medidores de radiação pelo corpo e no carro em que viajaram, eles trazem relatos e imagens que arrepiam. A região ainda amedronta as autoridades e o futuro ambiental do mundo: a questão agora é onde descartar as toneladas de terra e água contaminadas pela radiação. Faça o tour aqui! Onde a esquerda racha...Em São Paulo, há um pequeno (e improvisado) patrimônio cultural das esquerdas que abrigou por mais de uma década as mais ferrenhas disputas políticas sem nunca sucumbir. Agora, na pandemia, o ECLA (Espaço Cultural Latino Americano) corre risco de arrebentar de vez. A repórter Marie Declerq esteve no espaço, também conhecido como Toca do Saci. Entre imagens e quadros de ícones da esquerda, resistem ali bravamente um Vladimir Lênin enorme de isopor e Claudimir Gomes, o idealizador do espaço, que lamenta a baixa frequência durante a pandemia e a iminência do fechamento: "O pessoal que vem aqui é mais consciente e não sai de casa". Confira aqui. ... e a direita bombaConhecido por suas extravagantes declarações políticas e por sua arrebatada admiração pelos Cavaleiros Templários, o economista e estudante de filosofia Paulo Kogos é um fenômeno no YouTube. Seu canal "Ocidente em Fúria", onde defende a Igreja e a sociedade contra a devastação moral, conta com 126 mil inscritos. A tardia adolescência e seu heroísmo imaginário o fazem um sucesso entre os jovens nas mídias sociais. Paulo Sampaio perfila o rapaz que se define como católico fervoroso, anarcocapitalista e conservador de direita. Ele ainda revela: "Nunca namorei". Conheça o rapaz aqui. Na quebradinhaO jovem produtor e fotógrafo Marcelino Melo tem colocado a mão na massa para recriar, em escala diminuta, todo o universo da quebrada. Suas maquetes reproduzem a arquitetura da periferia nos mínimos detalhes e viraram sensação no Instagram, sendo notadas inclusive pela Bienal de São Paulo e na Semana de Design da Holanda. Conversamos com o artista sobre o processo de criação desse trabalho tão detalhista e delicado. Para ele, o projeto é mais do que construir casinhas — é produção de memória. Veja tudo aqui. Geração Ninho-NutellaNinguém sabe quem foi a pessoa que misturou, pela primeira vez, creme de avelã italiano com o leite em pó da tradicional lata amarela, mas fato é que hoje estamos vivendo a consolidação da ninho-nutellização da confeitaria no Brasil. Em 2020, no início da pandemia, houve um novo pico nas buscas de receitas com a mistura que é o pesadelo dos diabéticos. A busca "bolo gelado de Ninho com Nutella" teve crescimento de 350% no mês de março, de acordo com o Google Trends. Nosso paladar está mais infantil na pandemia ou é mais uma marreta publicitária? Tentamos responder aqui. Aula no TikTokEm março, Jade Hilario abriu uma aula online se achando. A professora de inglês e português tinha uma novidade: contou aos alunos de 10 anos que tinha feito um perfil no TikTok. Uma das crianças, como todas, honestíssima, respondeu: "Pra um primeiro TikTok, até que está bom". Hilario não é a única a fazer da plataforma um espaço nada ortodoxo — mas superpopular — para ensinar. Se o TikTok já é visto como ferramenta fundamental para uma campanha eleitoral, agora ela ajuda a manter a concentração das crianças nas aulas em vídeo. Prepare uma coreografia e leia mais aqui. 
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