O Alto Comando do Exército pressionou o comandante da Força, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, a não atender à convocação do ministro da Defesa Braga Netto para participar da cerimônia de entrega de um convite da Marinha ao presidente Jair Bolsonaro. A informação é da colunista Thaís Oyama. Para um militar, o não atendimento a convocação de um superior configura ato de indisciplina e, no caso de Paulo Sérgio, a única forma de evitar o cometimento da infração seria pedir demissão do cargo — precisamente o que o Alto Comando queria. O Alto Comando do Exército se reúne diariamente nessa época do ano para discutir, entre outras coisas, questões orçamentárias da instituição. Na reunião de ontem, porém, o desfile da Marinha —e a participação do comandante Exército na cerimônia prevista para encerrá-lo — foram os assuntos dominantes no encontro. Com maior ou menor eloquência, os generais expressaram seu desagrado à presença do comandante do Exército num evento que, para eles, escancarava a tentativa presidencial de usar as Forças Armadas em seu benefício político — nesse caso, o desejo de intimidar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Alguns se disseram "envergonhados" e "indignados". Paulo Sérgio, como presidente do Alto Comando, estava presente à reunião e ouviu todas as críticas. Nenhum dos presentes citou a palavra "demissão" porque, como afirma um general com interlocução com o Alto Comando, "cardeais não mandam o papa renunciar". Ao final da reunião, estava claro que o papa não estava disposto a renunciar. Na newsletter Olhar Apurado de hoje, trazemos uma curadoria com os pontos de vista dos colunistas do UOL, que acompanham de todos os ângulos a repercussão do noticiário. |
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