Bom dia!
Gestores e analistas do mercado financeiro até dão entrevistas. Mas o que conta mesmo é o que aparece em suas decisões financeiras. Com a disparada do EWZ, o fundo que representa as ações brasileiras em Nova York, os investidores não falam, eles gritam. O fundo avança 11% no pré-mercado nesta segunda, após o primeiro turno das eleições no Brasil terminar com Flávio Bolsonaro à frente de Lula na disputa. Desde a redemocratização, nunca o primeiro colocado perdeu no segundo turno.
A festa tem tudo para se estender pela Faria Lima nesta segunda, impulsionando o Ibovespa, que já havia escalado quase 5% na semana passada e se reaproximado de suas máximas históricas. A discussão que cabe ao mercado financeiro agora são os motivos reais para a comemoração.
Não há dúvidas, entre grandes investidores e gestores de fundos, de quais seriam os motivos da aversão a um novo mandato de Lula. O foco são as contas públicas e o crescimento do déficit fiscal. Na lógica binária do mercado financeiro, qualquer candidato seria melhor do que Lula sob esse aspecto.
Mas, em uma campanha marcada pela polarização, quase nada se falou do que Flávio Bolsonaro pretende fazer, além de conceder indulto a seu pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado após perder a eleição de 2022. Na semana passada, circularam informações de que a campanha de Flávio teria um plano de ajuste fiscal sob medida para as demandas da Faria Lima. Também reforçam a tese de ajuste fiscal a vitória esmagadora dos candidatos de direita no Senado, mesmo que os parlamentares eleitos pouco estejam ligados à agenda econômica.
Preocupações sobre a volta da família Bolsonaro ao poder após a tentativa de golpe e a crise instalada com o escândalo do caso Master parecem assuntos secundários para o mercado financeiro.
Investidores ganham espaço para se concentrar na eleição também porque a agenda econômica é fraca, tanto no Brasil quanto no exterior. Os futuros das bolsas americanas recuam após uma nova subida do petróleo, em meio à indefinição sobre a guerra no Oriente Médio. Bons negócios.
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