Bom dia!
Não é só nos EUA. E menos ainda uma questão exclusivamente brasileira. Os mercados financeiros globais amanhecem no negativo nesta quinta-feira, mais uma vez de olho na subida dos preços do petróleo e na percepção de que há não apenas uma bolha ligada à inteligência artificial, mas uma potencial crise de dívida pública se formando.
O rendimento dos títulos públicos americanos voltaram a escalar, pressionando as bolsas americanas que tentavam ignorar o problema enquanto caçavam novos recordes. Na França, os títulos públicos são negociados a juros mais altos do que os cobrados de algumas empresas privadas, de acordo com a agência Bloomberg. Uma anomalia nos mercados financeiros. Significa dizer que investidores acham mais provável que o Estado dê um calote do que suas empresas. Isso num momento em que estudantes vão às ruas protestar contra cortes de gastos.
Trata-se de um fenômeno global, que afeta os humores dos investidores. Os países registram expansão da dívida pública em um momento em que o mercado espera uma alta nas taxas de juros para conter a inflação. O resultado é que a dívida se retroalimenta. Nesta quinta, o Banco Central Europeu divulga a ata da reunião mais recente de política monetária. Na véspera, o Fed apontou para uma necessidade de aumento de juros nos EUA.
Essa onda de medo da dívida pública vem e vai, mas traz riscos concretos para a economia global, além de alimentar discursos mais radicais no campo político.
Depois da festa da Faria Lima na segunda-feira, as ações brasileiras passam por uma correção, acompanhando o resto do cenário internacional. O EWZ, fundo que representa companhias brasileiras em Nova York, recua no pré-mercado. O noticiário econômico começa a dar visibilidade ao que seriam as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro, caso seja eleito presidente. Elas variam de desfazer parte da reforma tributária, com destaque para reverter o split payment, mecanismo para facilitar a coleta de impostos e evitar a sonegação. Circulou pelo mercado também uma aposta questionada de corte de gastos para ser aprovada já na transição, considerada inviável.
A agenda doméstica é fraca, com expectativa pela divulgação da primeira rodada de pesquisas eleitorais para o segundo turno. Bons negócios.
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