O governo Bolsonaro cancelou de última hora o evento de lançamento do Auxílio Brasil, o substituto do Bolsa Família. O evento estava marcado para as 17h de hoje (19), mas foi cancelado um pouco antes. O mercado financeiro reagiu mal ao anúncio do programa. Segundo o colunista José Paulo Kupfer, os analistas de mercado afirmam que só haveria espaço fiscal para acomodar as despesas necessárias à manutenção do programa nesse nível de benefício com pedaladas fiscais, calotes em titulares de precatórios federais e quebra em regras de controle fiscal, inclusive o teto de gastos. O governo vem há meses tentando encontrar uma fórmula para acomodar, dentro dos limites dos controles fiscais, o desejo de Bolsonaro de adotar um esquema mais alentado de transferência de renda para brasileiros socialmente vulneráveis. Todas as fórmulas têm o inconveniente de criar espaço fiscal para o Auxílio Brasil com manobras que driblariam regras de controle, abrindo comportas para outros gastos - por exemplo, emendas de interesse de parlamentares da base aliada do governo. "É mais do que evidente a necessidade desse apoio aos pobres e vulneráveis, não só em termos sociais, mas também para animar a economia", escreveu Kupfer. O colunista informa que são 20 milhões de cidadãos em estado de extrema pobreza, cerca de 10% da população, enquanto outros 30%, mais de 60 milhões, em situação de pobreza. Ainda segundo Kupfer, as regras fiscais não são imutáveis e devem ser sempre revistas à luz das novas exigências que se apresentem no ambiente econômico e, principalmente, nas necessidades sociais. "Mas as revisões precisam obedecer a critérios técnicos e se amparar em aspectos políticos bem debatidos e embasados. Derrubá-las ou tentar contorná-las sem cuidados, debates e mínimos consensos é arriscado para a saúde da economia", afirmou o colunista. "Ao tentar impor na marra um novo programa de transferência, com a quebra não planejada de regras fiscais, Bolsonaro corre o risco de contratar o pior dos mundos: colaborar para um período de maior desorganização econômica, com juros, dólar e inflação em alta, o que dificultaria a retomada da atividade econômica e a redução do desemprego que o auxílio mais robusto imaginado poderia impulsionar", completou. Na newsletter Olhar Apurado de hoje, trazemos uma curadoria com os pontos de vista dos colunistas do UOL, que acompanham de todos os ângulos a repercussão do noticiário. |
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