Cientistas do Genov, um dos maiores projetos de vigilância genômica da América Latina, descobriram que a variante gama do coronavírus (Sars-CoV-2) —"nascida" em Manaus e antes denominada P1— agora tem uma versão "turbinada", que possivelmente é mais transmissível. A informação é da colunista Lucia Helena. Embora não seja uma descrição muito científica, cá entre nós poderíamos dizer que a variante identificada pelo Genov seria um mestiço de gama com delta. E por isso é melhor ficarmos de olho nela. Os cientistas descobriram a gama-plus ao analisar 502 amostras colhidas em maio de brasileiros infectados pelo Sars-CoV-2. Nelas, encontraram 12 mutações bem diferentes das usuais. Em 11 delas, na posição 681 da sequência de 30 mil letras que escrevem a receita genética do vírus da covid-19, um "P" tinha sido substituído por um "H". Já na 12ª amostra havia um "R" no lugar do velho "P", que é a mesma alteração da delta. Essas alterações foram encontradas em cinco amostras de Goiás; em duas do Tocantins; em uma de Mato Grosso, uma do Ceará, uma de Santa Catarina, uma do Paraná e uma do Rio de Janeiro. Ninguém vai dizer para não tomar vacina —muito pelo contrário. Mas ter gama-plus ameaçando correr solta preocupa um bocado diante de um cenário em que apenas 22,5% dos brasileiros estão totalmente vacinados, com duas doses ou a dose única. E isso não só porque essas pessoas podem adoecer. Com o vírus entrando mais depressa nas células, pode aumentar a carga viral da cepa gama, que já era impressionante. Assim, devem se multiplicar as oportunidades de ela criar mutações diariamente. E gama-plus poderá então aproveitar o organismo dos semi-imunizados para testar aquelas que a ajudariam a lidar com anticorpos. Na newsletter Olhar Apurado de hoje, trazemos uma curadoria com os pontos de vista dos colunistas do UOL, que acompanham de todos os ângulos a repercussão do noticiário. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário