Olá, investidor. O Ministério da Economia enviou ao Congresso na última quinta-feira (14) o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2023, no qual consta uma meta de déficit primário de R$ 65,9 bilhões para as contas públicas no ano. Essa meta revela que o Brasil chegou a um grau de endividamento e descontrole dos gastos públicos tão alarmante que se torna difícil projetar um cenário de superávit das contas públicas no curto prazo. O déficit primário ocorre quando os recursos arrecadados pela União são insuficientes para cobrir seus gastos, e acabam antes mesmo de o governo conseguir pagar os juros da dívida. Além disso, é importante ter em mente que o Brasil está em déficit desde 2014, o que significa que caso a meta do Ministério da Economia se confirme, nosso país atingirá a marca de dez anos consecutivos gastando mais do que arrecada, fazendo com que a dívida pública cresça como uma bola de neve. Além disso, o PLDO estima um déficit primário de R$ 27,89 bilhões em 2024, sinalizando que o país deve voltar a fechar o ano no azul apenas em 2025, com superávit de R$ 33,7 bilhões. Todavia, a projeção de retomada do superávit não é uma garantia, e depende da aprovação de reformas estruturantes e do controle do apetite da classe política pelo aumento de gastos. Caso as reformas administrativa e tributária não saiam do papel e novas propostas que implicam aumentos expressivos dos gastos da União sejam aprovadas, a situação fiscal brasileira pode se deteriorar ainda mais, fazendo com que as contas públicas permaneçam no vermelho por mais tempo ainda -até que o endividamento público atinja um patamar insustentável. Leia no 'Investigando o Mercado' (exclusivo para assinantes do UOL Investimentos): informações sobre o processo de privatização da Eletrobras, maior companhia brasileira do setor de energia elétrica. Rafael Bevilacqua Estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante Queremos ouvir vocêTem alguma dúvida ou sugestão sobre investimentos? Mande sua pergunta para uoleconomiafinancas@uol.com.br. |
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