sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Montanha-russa ou brasileira? 😅

Fiz aniversário há 10 dias, e quando contei pra minha irmã como passei a tarde ela estranhou. Depois de ganhar um café da manhã surpresa das amigas, fui pra casa de mainha e ela sugeriu que assistíssemos ao filme Other People, que mostra o retorno de um jovem à sua cidade natal pra ficar com a mãe enquanto ela faz tratamento contra um câncer. Não parece uma programação muito "comemorativa", né?

Sim, o filme é triste. Mas além da dor ele tem muita sensibilidade e "vida real", sabe? Achei o roteiro e as atuações no ponto. E me fez pensar, entre muitas outras coisas, sobre a enorme importância do que supostamente é banal, nuns tempos em que os dias são todos meio parecidos e o mundo virtual cada vez mais espetacularizado. Às vezes a gente só precisa mesmo de simplicidade, delicadeza e afeto.

Passei o dia do meu aniversário usando máscara e não pude celebrar do jeito que mais gosto. Mas estar viva, com saúde, "semi-imunizada" e rodeada de carinho (fisicamente ou não) são razões de sobra pra celebração. :) 


Essa montanha-russa chamada autopublicação

Um amigo brincou que devíamos mudar o nome montanha-russa pra montanha-brasileira, tamanhos os altos e baixos emocionais que esse país tem nos feito passar. Infelizmente, muito mais baixos que altos, né?

Mas isso é outra conversa.

O que queria comentar é que escrever um livro e prepará-lo pra publicação independente tem sido uma montanha sinuosa. Tem momentos em que fico prestes a chorar em posição fetal e logo depois tou WOOHOO, curtindo a adrenalina de colocar esse filho-livro no mundo.

Além de todas as questões relacionadas ao texto, que ganham um peso diferente quando ele não pode ser facilmente editado depois de publicado como acontece num blog, tem as infinitas demandas da autopublicação.

Encontrar as profissionais mais legais pra contratar e alinhar agendas com elas, buscar referências visuais, aprovar projeto gráfico e capa, escolher formato e tipo de papel, falar com gráficas, ver e rever o orçamento, estudar sobre crowdfunding, traçar estratégias, pensar nas recompensas, formular e reformular o cronograma, produzir conteúdo pra divulgação, fazer roteiro de vídeo, gravar vídeo, solucionar mil imprevistos, entender burocracias, pensar na logística de embalagens e envios...

Todo dia preciso aprender algo novo, administrar a autocobrança e a ansiedade, ter paciência e confiar. Mas quando não tou prestes a surtar, tou amando me apropriar do processo inteiro dessa gestação livrística e me apaixonando por esse rolê editorial. Descortinar novos mundinhos muitas vezes é tão gostoso quanto desafiador, né?


Turismo Responsável

Se você me acompanha há um tempo, já sabe que venho tomando mais e mais consciência sobre o mal que o turismo pode fazer pra o mundo e tentando aprender como evitar isso. Espero que saiba também que não acho que atitudes individuais são o suficiente – o que também não é desculpa pra se livrar da responsabilidade, pelamordadeusa.

Penso que uma solução real pra toda a destruição provocada pelo turismo de massa só vai vir quando a gente mudar muito mais que nosso jeito de viajar, mas de viver a vida todinha mesmo. De forma radical, ou seja, na raiz dos problemas, em vez de se contentar com paliativos que só arranham a superfície.

Mas pra que isso aconteça (e enquanto não acontece), penso também que o caminho tá na articulação coletiva. Sozinha sou só uma formiguinha, mas já viu o poder de um formigueiro? 

Por isso, nos últimos meses tou fazendo o curso de Turismo Responsável promovido pelo Instituto Vivejar, junto com uma galera (quase todos profissionais do turismo) que se preocupa genuinamente em fazer as coisas de outro jeito. Ele tá agora no Módulo 3, mas ainda dá pra se inscrever e ver as gravações das aulas anteriores. Recomendo muito!

E pelo mesmo motivo, me associei há pouco ao Coletivo Muda, formado por profissionais e empresas que acreditam que viajar é uma estratégia eficiente pra promover sustentabilidade. O turismo é capaz de fortalecer comunidades, conservar o meio ambiente e criar alternativas econômicas, mas pra isso a gente precisa, no fim das contas, questionar o modus operandi capitalista.

Estar nesses espaços tem servido de lembrete de que existe bastante gente empenhada em construir outros caminhos. É só procurar direitinho.


Abri as janelas e vi

Não tenho feito muito mais coisa além de trabalhar no livro, mas recomendo muito esse texto da Piauí sobre o mercado milionário de publicidade em perfis de humor e fofoca no Instagram - muitas vezes sem a sinalização adequada. Mesmo atuando na área, fiquei surpresa com a dimensão do negócio.

Se quiser uma série leve e clichê-gostosinha pra descansar a cabeça, recomendo Geração 30 e poucos, que se passa numa charmosíssima Itália e relembra o início da popularização da internet e a infância nos anos 90. Tá na Netflix.

Outra que dá muita vontade de ir pra uma ilha italiana A-GO-RA é a animação Luca, da Pixar, que fala de inclusão de um jeito fofo (tem no Disney Plus). E pra quem se interessa pela Índia, o filme The Lunchbox é uma graça (tem na GloboPlay).

Um abraço virtual apertado e boas viagens pra dentro por aí!

Luísa

 
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