SAIBA QUEM É O "AMOR" DE BOLSONARO 
A Crusoé é conhecida por sua cobertura extensa, aprofundada — e destemida — do Judiciário brasileiro. Tanto que até já foi censurada por isso, no inquérito do fim do mundo instaurado no STF. Na edição desta semana, a revista traz uma reportagem alentada sobre o ministro do STJ que pode vir a ser nomeado por Jair Bolsonaro para a vaga de Marco Aurélio Mello no STF. Trata-se de João Otávio de Noronha. Bolsonaro já fez uma declaração de "amor à primeira vista" a ele, e você vai entender os motivos.
Leia um trecho da reportagem da Crusoé:
" Desde os tempos em que conciliava a diretoria jurídica do Banco do Brasil com a militância na Ordem dos Advogados do Brasil, no início dos anos 2000, João Otávio de Noronha sabia que era preciso estar muito bem posicionado no jogo do poder em Brasília para alcançar o sonho de ocupar uma cadeira no Superior Tribunal de Justiça. Por meio do banco estatal, o então advogado fez agrados a magistrados da corte, liberando verbas para eventos e viagens da Escola da Magistratura e conquistando apoios importantes na corte enquanto se aproximava daqueles que poderiam ser os seus melhores padrinhos políticos no Planalto. A estratégia deu certo. Noronha conseguiu se garantir como o segundo mais votado na lista tríplice dentro do STJ e, depois, em dezembro de 2002, foi escolhido pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, para uma das cadeiras reservada à advocacia. Em seu favor, pesou muito o apoio do todo-poderoso ministro da Fazenda de então, Pedro Malan. Passados quase vinte anos, Noronha tenta repetir a receita para chegar ao cargo que há anos ambiciona, uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Agora, como não poderia deixar de ser, o alvo é o presidente Jair Bolsonaro.
As convergências entre ambos aumentaram no ano passado, quando o ministro ainda presidia o STJ e Bolsonaro teria de escolher o substituto de Celso de Mello no STF. Não faltaram decisões favoráveis de Noronha ao governo. Um levantamento do jornal O Estado de S.Paulo mostrou que 87% de seus despachos foram ao encontro do que a administração Bolsonaro desejava. Àquela altura, o presidente da República já havia declarado publicamente que sua relação com Noronha envolve paixão. Foi "amor à primeira vista ", chegou a dizer Bolsonaro em uma cerimônia no palácio do governo. O ministro fez jus ao amor pouco tempo depois, em meados do ano passado, concedendo prisão domiciliar a Fabrício Queiroz, o homem de confiança do clã presidencial que tinha sido preso pelo rachid no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. Causou espécie entre outros ministros da corte o fato de Noronha ter estendido o benefício à mulher de Queiroz, que estava foragida, sob o argumento de que ela teria de "dar atenção necessária" ao marido. A decisão foi vista como "absurda " por pares do então presidente do STJ. Noronha já almejava, ali, uma cadeira no Supremo. Mas teve que aguardar mais um pouco na fila – apesar dos gestos, Bolsonaro acabou escolhendo o então desembargador federal Kassio Marques para a vaga." Assine a Crusoé, a revista que não tem medo de fiscalizar TODOS os poderes, e apoie o jornalismo independente que não aceita dinheiro de governo nenhum.
Boa leitura e um abraço, Equipes O Antagonista e Crusoé |
Nenhum comentário:
Postar um comentário