Oi, você :) Como aqui na newsletter temos mais intimidade que no blog ou Instagram, vou me abrir: tenho passado por uns processos difíceis nas viagens pra dentro de mim. Falo muito sobre como viagens podem ser ferramentas de autoconhecimento, afinal, aprendi demais sobre mim mesma enquanto saía da minha zona de conforto mundo afora. Mas sempre digo, também, que o deslocamento físico não é necessário pra gente "se encontrar" (e acho perigosa essa busca por um "eureka! me encontrei!", mas podemos entrar nisso outro dia :P). O momento que estamos vivendo é um baita exemplo disso. Faço terapia há anos, entre idas e vindas por causa das viagens, mas o tanto que essa pandemia tem me feito acessar coisas boas e ruins sobre mim não é brincadeira, viu? E pelo que tenho conversado com amigos, não sou a única. Afinal, não tão faltando empurrões pra olhar bem pra dentro. As circunstâncias do confinamento, seja na solidão ou com convívio mais intenso com outras pessoas; os medos em relação ao vírus, especialmente pra quem não pode ficar em casa; a redução de distrações externas; a sensação de falta de controle (que nunca existiu, eu sei); o luto pelas vidas perdidas, afetos interrompidos, renda comprometida, planos adiados ou cancelados... Pra mim, além de tudo que se relaciona mais diretamente à pandemia em si, uma das questões mais difíceis tem sido me aceitar como sou. Fiz aniversário esse mês, e essa renovação de ciclo pessoal sempre me traz aquela vibe "retrospectiva e desejos pra o futuro" que sentimos no Ano Novo. Completei 31 anos recebendo muito carinho e me sentindo orgulhosa de mim e da minha trajetória. Mas mentiria se dissesse que não tou numa pequena montanha-russa. Tenho entendido como crio obstáculos pra me conectar com minha essência quando me deixo levar pelo ego, busca por aprovação externa, auto cobrança, vontade de me encaixar, medo de errar... Venho tentando deixar de me culpar por não caber num ideal e entender que o que tenho de mais valioso pra o mundo é justamente o que fico querendo podar. Entre experiências da infância e pressões sociais, a gente muitas vezes se acostuma a se distanciar de nós mesmos. A parte boa é que esse mergulho pra dentro pode doer, mas nos leva muito mais longe que uma vida na superfície. Também tá rolando uma viagem pra dentro por aí?  (a foto mostra essa Luísa que vos fala bem feliz no seu quartinho, pra lembrar que sei que falo de um lugar de privilégio e ressaltar que tá tudo bem por aqui) Por que você está aqui? Se puder, me responde esse e-mail contando por que você assina minha newsletter? :) Vai me ajudar muito a definir os próximos passos que vou dar por aqui e em novos projetos que tou gestando por aqui! Me responde também se você: - Quer saber como viajar sem pagar por hospedagem e alimentação
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(Pode escrever só um "QUERO A" ou "QUERO B" pra facilitar, hahaha). Obrigadíssima! Abri minhas janelas e vi Você tem incluído poesia na sua vida? Falo isso tanto figurativamente, como no hábito de reparar nas pequenas belezas do dia a dia, quanto literalmente. Voltei a ler poesia recentemente, depois que fui fisgada pelo maravilhoso O Livro das Semelhanças, de Ana Martins Marques, e isso tem me ajudado muito a atravessar esses dias estranhos. Uma delícia! Pra quem procura uma leitura bem leve, a dica é o Te Mando Flores da Grécia, de Paula Brukmuller. Essa jornalista, que conheci pelo Instagram, compartilha no livro os causos vividos durante uma volta ao mundo que ela fez depois de sucessivos abortos e o fim de um casamento. Li em duas noites, me distraí com os relatos de romances e me identifiquei com vários aprendizados. Uma taça de vinho combina bem. ;) E ainda falando em livros: muita gente tem relatado sentir dificuldade em se concentrar na leitura nos últimos tempos. Acho importante não se cobrar e aceitar se você simplesmente não tá com cabeça ou vontade pra isso, mas caso queira tentar mudar, vale conferir essas 5 dicas para não se distrair durante a leitura, do Chicas & Dicas. O texto Quem tem medo do cancelamento?, na Revista Gama, do Nexo, fala sobre como o chamado cancelamento "destrói reputações e cria mecanismos de extorsão social que provocam cada vez mais medo e hesitação, reduzindo a participação ativa em diálogos e debates". Esse podcast do New York Times (em inglês, mas tem a transcrição e dá pra traduzir) também traz pontos interessantes sobre o tema (tem a parte 2 aqui). O que você pensa sobre o assunto? E falando em podcast, esse episódio do Bom dia, Obvious sobre Estar Presente tá maravilhoso. Gostei muito dos comentários da entrevistada, a escritora e terapeuta Andréa Perdigão, sobre a importância de estamos atentos a nosso corpo e nossa mente. Respirar fundo, controlar a ansiedade e viver o presente são grandes desafios pra mim, e uns lembretes como os que ela traz caem muito bem. Ah, o episódio Confie no Seu Processo, com Duda Beat, também tá massa! Da matéria O significado da morte de 100 mil pessoas por Covid-19, do Uol Tab, destaco esse trecho: "A doença, que chegou ao Brasil de avião, 'a bordo' dos brasileiros de classes alta e média, hoje vitima os que fazem parte das camadas mais empobrecidas. 'Elas não têm acesso aos serviços do poder público, não têm rendimentos que lhes garantam mesa, cama, higiene adequadas. São invisíveis à classe média e aos privilegiados', explica Roberto Romano, filósofo e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Passado o choque inicial, os gritos de dor das vítimas já não encontram mais eco nem nos telejornais. 'São vidas que, socialmente, sequer são consideradas vidas dignas. Sequer são consideradas vidas', lembra Franco." Se cuide. E cuide dos outros também. Um abraço, Luísa | | | | |
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