O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixou o tom moderado de lado durante visita à Catedral de Brasília e se irritou com uma pergunta de um repórter sobre o motivo de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, ter depositado cheques na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. "Minha vontade é encher tua boca com uma porrada, tá. Seu safado", respondeu o presidente. Não é a primeira vez que Bolsonaro perde a paciência com perguntas relacionadas a Queiroz. A imprensa, por sinal, costuma ser um dos alvos dos ataques do presidente. Ele já mandou repórteres mulheres "calarem a boca" e encerrou com rispidez entrevistas coletivas. Nos primeiros seis meses do ano, foram 53 agressões verbais contra jornalistas, segundo a ONG RSF (Repórteres sem Fronteiras). "No governo Bolsonaro, o ataque à imprensa é método", afirmou à Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) o diretor regional da RSF para a América Latina, Emmanuel Colombié. Após o acirramento da crise provocada pela prisão de Queiroz em junho, o presidente havia adotado uma postura "moderada", que visava também evitar confrontos com os profissionais de imprensa. No período, ele ainda adotou tom conciliatório com os demais Poderes após ter participado durante a pandemia do novo coronavírus de atos que defendiam o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Congresso Nacional. Ao todo, o ex-assessor Queiroz e a mulher dele, Márcia Aguiar, repassaram R$ 89 mil para a conta de Michelle Bolsonaro entre 2011 e 2016 —antes portanto de o marido assumir a Presidência da República. |
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