A taxa básica de juros, a Selic, está no menor patamar da história do país: apenas 2% ao ano. Para quem tem dinheiro na poupança, isso não é nada bom —você já deve ter visto reportagens e análises com esse alerta. Mesmo assim, a poupança segue recebendo bilhões de reais todos os meses. Segundo dados do Banco Central, as cadernetas receberam este ano, entre janeiro e julho, R$ 112,6 bilhões, elevando a R$ 973,7 bilhões o total aplicado nesse produto —quase R$ 1 trilhão! Especialistas destacam que manter o dinheiro na poupança não é um problema se o objetivo dessa aplicação for servir como ajuda em momentos de gastos inesperados. "O objetivo da poupança é deixar o dinheiro em um lugar seguro e que seja disponível a qualquer momento sem riscos. A rentabilidade é algo secundário. Valter Police Jr., planejador financeiro da Planejar Poupança não ganha nem da inflaçãoPela regra, o rendimento da caderneta é de 70% da Selic, ou seja, a poupança hoje está rendendo 1,4% ao ano. Supondo uma aplicação de R$ 1.000 feita hoje, o rendimento ao fim de 12 meses —mantida essa Selic— seria de R$ 14. Mas ainda tem a inflação. Afinal, ao longo de um ano, os preços dos produtos vão subindo e, dessa forma, o poder de compra de R$ 1.000 vai diminuindo. Levando em conta a inflação projetada pelo mercado para 2021, de 3%, para cada R$ 1.000 aplicados, a inflação vai corroer R$ 30. Portanto, a verdade é que não houve ganho real na poupança, mas uma perda de R$ 16 em 12 meses. Há alternativas à poupançaMas o baixo rendimento não significa que a poupança não tenha uma função para o investidor. Jailon Giacomelli, planejador financeiro da Par Mais, diz que a reserva de emergência deve ser investida em qualquer aplicação que dê um rendimento perto do CDI, ou seja, muito próximo à Selic, e que tenha liquidez, permitindo saques em até 24 horas sem perdas. Por essa linha de raciocínio, a poupança estaria rendendo menos que outras opções do mercado, como: - Tesouro Selic, título do governo federal disponível na plataforma do Tesouro Direto
- Fundos de renda fixa DI sem taxa de administração
- CDBs de liquidez diária
Esses produtos rendem mais que a poupança, mas pagam imposto. E a diferença no fim de um ano será de poucos reais. Para comparar, mantendo o exemplo dos R$ 1.000 aplicados por 12 meses, essas alternativas à caderneta dariam ao investidor uma perda um pouco menor, de R$ 13,50. Vale a pena movimentar o dinheiro por tão pouco?Para Police Júnior, a diferença entre o rendimento da poupança e o de outras aplicações é tão pequena que nem vale o trabalho de movimentar o dinheiro. "Ficar na poupança é ruim, mas nas outras alternativas a diferença é tão inexpressiva que o que você vai ganhar a mais não justifica a troca", afirmou. Não mexa na poupança antigaVale destacar que quem tem dinheiro aplicado nas chamadas cadernetas antigas, aquelas que seguem as regras válidas até 2012, recebe um rendimento maior, de 0,6% ao mês mais TR (que está em zero). Nessas aplicações, o rendimento anual é de aproximadamente 6% ao ano, dando a cada R$ 1.000 aplicados um ganho de R$ 60, ou seja, o dobro da inflação projetada para 2021. Essas aplicações não podem mais receber depósitos, apenas saques são permitidos. Mas quem tem dinheiro nelas deve preservar a aplicação ao máximo porque o ganho proporcionado é hoje imbatível. Pergunta do leitorUma leitora pergunta: "Estamos num bom momento para tirar o dinheiro da poupança e comprar dólar?" Em tempos de incerteza, é preciso cuidado para não cair no que chamamos de vieses comportamentais, tomando decisões com base em notícias ou históricos. Entenda que a poupança e o dólar são investimentos de extremos opostos. Portanto, é preciso cautela. A poupança antiga —depósitos feitos até 3 de maio de 2012— tem uma excelente rentabilidade diante da nova realidade de juros, pois está rendendo TR (taxa referencial) + 0,5% ao mês. A poupança nova rende 70% da taxa Selic + TR. Quanto ao dólar, é possível investir por meio de fundos em vez de comprar a moeda diretamente. Seus objetivos financeiros e horizonte de tempo serão determinantes para a sua escolha. A orientação é analisar primeiro a sua situação financeira atual, assim como seus gastos e investimentos. A partir daí, procure investimentos adequados às suas necessidades atuais, de forma que não perca sua liquidez nem corra tantos riscos. A resposta é de Juliana Olivieri Refundini, planejadora financeira certificada pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros). Queremos ouvir vocêTem alguma dúvida ou sugestão sobre investimentos? Mande um email para uoleconomiafinancas@uol.com.br |
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