Links do mês #112 e o ônibus que passou por aquiComo adesivos colaborativos ajudaram a sinalizar pontos de ônibus em Porto Alegre e no Brasil.O ano era 2012. Eu e dois amigos (Gab Gomes e Giovani Groff) tínhamos um projeto paralelo chamado Shoot The Shit. A dinâmica era simples: nos reuníamos toda semana para pensar projetos criativos que melhorassem Porto Alegre. Numa dessas conversas, veio o insight: os nossos pontos de ônibus não informavam as linhas que passavam em cada um. Além da placa com o ícone do ônibus, não havia nenhuma indicação para as pessoas. Nos empolgamos com esse problema e rapidamente já chegamos a uma solução: um adesivo com as informações colado nos pontos (layout dele na galeria abaixo). Porém, esbarramos em dois desafios: era caro (cada ponto precisava de um adesivo diferente) e não funcionava em pontos que eram apenas um poste. Voltamos para o brain e vieram dois pulos do gato. 1) Transformar o adesivo em uma tripa e 2) convidar as próprias pessoas a escreverem nele as linhas que passavam por cada ponto. Com essas soluções, a gente conseguiria imprimir adesivos sempre iguais, barateando o projeto e permitindo que ele fosse mais longe. Trocamos a personalização pela colaboração. Nascia assim o projeto Que Ônibus Passa Aqui?, um movimento que convidava as pessoas a escreverem, com suas próprias canetas enquanto aguardavam seus ônibus, as linhas nos adesivos. Porém, mesmo sendo mais barato, ainda assim não tínhamos dinheiro para investir. O primeiro “anjo” que nos ajudou foi o amigo Daniel Larusso. Ele adorou a ideia e nos deu na mesma hora 25 reais. Decidimos cada um casar mais 25 e imprimir 20 adesivos. Colamos a primeira leva e gravamos um vídeo de divulgação para o Catarse, onde pedimos R$ 5 mil para levar a ação para todos os pontos da cidade. Em dois dias já tínhamos R$ 1.500 arrecadados. Eis que sai uma matéria onde a Prefeitura acusou o projeto de depredação, e aí bateu o pavor. Por medo de multa ou algo pior, encerramos a arrecadação e devolvemos a grana a quem tinham apoiado. Daí, do nada, a mesma Prefeitura nos liga e fala “vejam bem, nós gostamos do projeto e queremos fazer ele acontecer”. Nunca saberei se essa mudança de ideia por parte do governo foi legítima ou uma resposta à chuva de comentários que eles receberam depois de diminuir nossa proposta. Mas, enfim, o medo virou felicidade: a empresa de trânsito ia bancar adesivos. A única diferença era que os adesivos não poderiam ser colaborativos, eles já iriam levar as linhas impressas. Por nós, ótimo. Começamos a desenhar o novo adesivo seguindo as orientações oficiais do governo, tudo no nosso tempo livre. Aí entraram em campo a burocracia e a má-vontade, com a Prefeitura nos enrolando por alguns belos meses. Ligamos, mandamos email, e nada. Com a ajuda de uma equipe de filmagem que estava fazendo um documentário sobre a Shoot (chic demais 💅), conseguimos incomodar a EPTC até que eles se mexessem, e depois de 6 meses de lentidão os adesivos começaram a ganhar as ruas de Porto Alegre. Para a colagem do primeiro adesivo teve até evento em um ponto de ônibus. Prefeitura, nós, imprensa. Saiu em tudo que era lugar. Estávamos super felizes, parecia que as coisas iam andar finalmente. Só que não. A felicidade durou pouco: a Prefeitura matou o projeto depois de 6 meses. Deram uma desculpa qualquer e sumiram. Era o fim do QOPA? Não. É aí que entra o Imagina na Copa. ![]() - - - - O ano era 2013. Ano pré-Copa. Muita coisa acontecendo no país. Uma delas era o Imagina na Copa (hoje Imagina 2030), um projeto que tinha o objetivo de compartilhar histórias de jovens transformadores pelo Brasil. O Imagina nos chamou para gravarmos um episódio sobre o QOPA? e, nas conversas que tivemos nos bastidores, surgiu a ideia de levar o projeto para o resto do país. Afinal, os pontos de ônibus não eram ruins somente em Porto Alegre. O plano era aproveitar a rede que o Imagina já tinha para lançar um chamado à ação e alcançar pessoas que topassem colar adesivos por aí. Lançamos um site onde o adesivo podia ser baixado, e foi incrível ver dezenas de pessoas organizando mutirões de colagem Brasil afora. O resultado: aparecemos no Estadão, ganhamos prêmio do The Guardian, o adesivo foi parar em Lima e Cidade do México. Muita mídia espontânea, muitas pessoas replicando a ação em suas cidades. ![]() Cenas do movimento pelo Brasil (e também fora). De um projeto local na capital do RS, o projeto tinha saído completamente do nosso controle, a cada dia ganhando mais histórias, mídia espontânea, curiosidades e colagens em pontos de ônibus. Fotos e vídeos no Facebook, capa no Estadão, prêmio do The Guardian. Já em 2016, a Prefeitura começou a instalar placas metálicas com as linhas dos ônibus em Porto Alegre. E eu gosto de pensar que se não fossem os diversos atos de coragem das pessoas dessa história, essa solução teria demorado ainda mais para chegar à população. Sucesso demais 🥰 Espero que gostem dos links:
"Comece a escrever escrevendo, a água não flui até a torneira estar ligada." — Louis L’amour Oie. Meu nome é Luciano Braga. Sou realizador de diversos projetos criativos nas áreas da comunicação, comédia, ficção e impacto social. Boto minha energia em iniciativas que desafiam minha criatividade, que empoderam pessoas e que deixam um legado positivo no mundo. Quer me conhecer? Vem no meu Instagram. |
quinta-feira, 31 de julho de 2025
Links do mês #112 e o ônibus que passou por aqui
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