A Tetra Pak tem ampliado seus investimentos em marketing, inovação e sustentabilidade para ir "além da caixinha do leite". Com 65 anos de Brasil, a multinacional comemorou no mês passado os cinco anos de seu Centro de Inovação ao Cliente, no interior de São Paulo. O UOL Mídia e Marketing conversou com Danilo Zorzan, diretor de Marketing da Tetra Pak no Brasil. Confira: Consumidores têm pensado cada vez mais em embalagens sustentáveis. Como vocês têm trabalhado isso internamente? Como a Tetra Pak olha para o alumínio, por exemplo? Nós temos a meta de ser o maior provedor de embalagens assépticas que sejam totalmente renováveis e recicláveis. Com isso, o que procuramos fazer é realmente trabalhar nessa jornada de sustentabilidade. Quando falamos de embalagem sustentável, não é só a capacidade de ser reciclável pós-consumo. É entender todo o ciclo de vida do produto e como ela pode contribuir também para a economia circular de baixo carbono. Temos três ingredientes na embalagem: papel (75% da composição), plástico (25%) e alumínio (5%). O plástico já vinha nesta toada de substituição, com a introdução do polímero verde da cana-de-açúcar. Falta, agora, o último elo dessa cadeia, que é justamente o alumínio — o componente essencial da embalagem. A ideia é que o alumínio seja substituído por alternativas, como uma camada à base de fibra. Isso é um marco na jornada de sustentabilidade da companhia rumo a uma embalagem asséptica totalmente renovável, reciclável e neutra em carbono. Como a embalagem longa vida fomenta a reciclagem? Em quais projetos vocês estão focados hoje em dia?  | | Danilo Zorzan, diretor de marketing da Tetra Pak no Brasil | | Imagem: Divulgação |
Há mais de 25 anos nós fomentamos essa cadeia de reciclagem. Já contamos com mais de 30 recicladoras que utilizam nossa embalagem. No ano passado, a gente reciclou cerca de 100 toneladas de embalagens. Nosso grande calcanhar de Aquiles hoje é o consumidor. Trazemos tecnologia nos materiais recicláveis, e os recicladores estão prontos. Se a caixinha sai da mão do consumidor e não for para o lixo certo, não adianta. É um ato simples, mas se ele não se interessar por isso, acaba toda essa magia. A cadeia se desfaz. É realmente um trabalho de formiguinha. É bom ou ruim ser sinônimo da caixinha? Como extrapolar isso para o consumidor? A gente tem uma relação muito forte com o consumidor brasileiro. Temos uma responsabilidade muito grande com a população, com as marcas, com os clientes e com o varejo como um todo. Traz uma carga de responsabilidade muito grande para nós. Por sermos sinônimos da indústria, temos que estar sempre um passo à frente. É esperado isso de um líder. Além de tudo, a caixinha é um ótimo veículo de mídia. É a "customização em massa", como costumo brincar. A caixinha está presente na mesa, no bolso e em outros momentos de consumo do brasileiro. É realmente um veículo muito importante. O QR Code explodiu na pandemia. Quando a gente costuma trazer essa interação da caixinha com o consumidor, pretendemos maximizar essa experiência, que ela traga alguma relevância para o consumidor. O QR Code, hoje, é um portal para um outro mundo. Vocês têm trabalhado com outras empresas para criação de novos produtos, novas bebidas que usem as embalagens. Como isso funciona? Fomos, por muito tempo, sinônimo de leite e suco. A gente vê que os anseios do consumidor mudam. Por que não expandirmos além desses horizontes? Em outros mercados, a Tetra Pak vai além disso. Por que não encaixar nosso produto em outras categorias, que têm alguma similaridade? Hoje, temos dois alicerces: acelerar projetos via startups, de identificar empresas que estejam trabalhando essas novas demandas do consumidor e que possam ser embaladas em nosso produto. O outro é desenvolver nosso Centro de Inovação ao Cliente (CIC), que já tem cinco anos. Hoje, essas novas categorias já representam cerca de 17% das vendas. O que era uma base muito pequena vem crescendo ano a ano. Isso é o futuro. |
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