Na semana passada, o colunista Felipe Zmoginski, de Tilt, apresentou o modelo chinês de endurecimento de regras para as big techs. Duas leis, uma que determina privacidade de dados de usuários e, outra, que impede os algoritmos de atuarem em certos mercados, como na avaliação de seguros-saúde, restringiu enormemente o poder das empresas de tecnologia. Agora, Zmoginski compara o exemplo chinês com o norte-americano. Na China, aparentemente o usuário passou a ter mais poder diante das grandes corporações de tecnologia, certo? Não é bem por aí. Por lá, as big techs até perderam força, claro, mas quem ficou realmente poderoso foi o governo. O que rolou? Nos Estados Unidos, o discurso vigente é sempre o de liberalismo econômico. Também, aliás, não é bem isso que a história mostra. Por lá as grandes companhias de tecnologia norte-americanas contaram com generosos contratos públicos e financiamento de agências de fomento para crescerem. O argumento para o apoio do Estado era um só: tecnologia é um item estratégico. Mas, as big techs continuam extremamente poderosas. Mesmo assim, há uma enorme preocupação com o superpoder das empresas que sabem o que comem, onde andam, o que vestem, como pensam e o que sentem seus cidadãos. Diferentes comissões de deputados tentam, há anos, regular o funcionamento destas corporações. Cenas que constrangeram poderosos CEOs levados ao Congresso para submeter-se a sabatinas podem ter aquecido o coração de usuários solitários, mas, na prática, pouco foi feito para limitar o poder das big techs. Por que isso é importante Ao contrário do caso chinês, nos Estados Unidos, o poder econômico das corporações é capaz de influir —via lobby ou via financiamento de campanha— nas decisões do poder político, o que no final do dia, só mantém as empresas de tecnologia em posição de vantagem. Para Zmoginski, nota-se, em ambos os casos, o grave desalento do cidadão comum, adestrado pelos algoritmos sobre o que consumir, pensar, compartilhar e desejar.Em um caso ou em outro, embora reconheça-se que há poder excessivo nas mãos das big techs, há pouca esperança de vivermos uma vida menos planejada por terceiros. |
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