Nem é mais novidade quando uma fabricante de smartphone decide anunciar um novo aparelho top de linha — e às vezes nem isso — com um complexo sistema de câmeras na traseira, com mais de três sensores. Até a Apple, com seus celulares com design minimalista e coeso, adotou o seu trambolho ergonômico no ano passado, com a família iPhone 11. Enquanto as inovações nas câmeras de smartphones recém-lançados muitas vezes parecem firulas — como zooms mirabolantes, mas sem grande utilidade prática —, dois lançamentos desta semana, mais um vazamento, indicam que os esforços das fabricantes em chamar a atenção dos consumidores se voltaram para a tela. Para aumentar o tamanho do display, empresas foram reduzindo as bordas, tirando botões, sensores de digital e adotando diferentes tipos de entalhe para a câmera frontal. Câmeras rotativas e pop-up foram outras soluções inventadas para a mesma finalidade. Duas tendências, uma que amadureceu de 2019 para cá e outra inédita, prometem mudar de vez o rostinho dos smartphones. O que rolou?No fim do ano passado, escrevemos nesta newsletter que os smartphones estavam "se dobrando à sua primeira grande mudança". O trocadilho dizia respeito à primeira geração dos celulares de tela flexível — ou dobrável, se você preferir. Pois nesta semana a Samsung deu detalhes sobre o sucessor do primeiro aparelho do gênero que fez manchetes em 2019, mas não como ela gostaria. Desta vez, ela parece ter acertado a mão: - A empresa sul-coreana lançou o Galaxy Z Fold 2, nova geração do criticado Galaxy Fold original. Custando US$ 1.999 (R$ 11.100 na cotação atual), o smartphone mostra autocrítica e aprendizado da Samsung, que repaginou todo o design e corrigiu falhas, como...
- ... a tela frontal, que cresceu de 4,6 para 6,2 polegadas, com furo na tela para câmera de selfie. A tela interna também cresceu de 7,3 para 7,6 polegadas, com a retirada do enorme entalhe que havia no canto superior direito (que viraram um furinho no meio da telona) e afinamento de bordas. O Fold original já tinha display em abundância, mas a Samsung dobrou a aposta nesta segunda geração, além de outras melhorias. Porém...
- ... entalhes não deixaram de existir. É aí que entra o anúncio da chinesa ZTE, que cumpriu uma promessa feita em agosto e apresentou o primeiro celular com câmera frontal invisível... quer dizer, sob a tela. O Axon 20 5G tem um sensor de 32 MP debaixo do display, fabricado a partir de um material de alta transparência com camadas orgânicas e inorgânicas. A ZTE é a única com um celular desses por enquanto, mas...
- ... a concorrentes devem segui-la nos próximos meses. Uma candidata forte é a Xiaomi, afinal um vazamento indica que o Mi 11 terá tecnologia semelhante.
Por que é importante?É cada vez mais complicado se diferenciar no mercado de smartphones, visto que as diversas fabricantes oferecem produtos com design, recursos e especificações semelhantes. Neste cenário, a aposta da Samsung no formato dobrável é um passo raro na direção de uma verdadeira inovação. O resultado inicial ruim com o Fold original, avaliado quase como um protótipo comercial, desanimou. Entretanto, em vez de mudar de curso e voltar para o arroz com feijão, mas a empresa sul-coreana iterou sobre o conceito inicial e apresentou uma versão 2.0 digna de atenção e alinhada com as tendências de aparelhos com poucas bordas e entalhes pequenos. Já a novidade da ZTE mostra um avanço significativo na busca por uma "tela infinita", prometida há anos pelas fabricantes. Como uma primeira geração desta tecnologia, há um risco desta câmera frontal "invisível" apresentar problemas, como o Fold mostrou. Se bem-sucedido, o recurso tem tudo a virar uma tendência, substituindo os entalhes e as câmeras frontais escondidas de aparelhos como Galaxy A80, Zenfone 6 e Motorola One Hyper. Não é bem assim, mas está quase láCom telas maiores, celulares ficam melhores para consumo de conteúdo e até para trabalhar. Mas há bons motivos para questionar se telonas, assim como os sistemas de múltiplas câmeras, vão inspirar usuários à compra de novos smartphones. Em primeiro lugar, o custo é quase proibitivo, particularmente quando se trata de celulares dobráveis. Tanto o Galaxy Z Fold 2 quanto o Galaxy Z Flip e o Motorola Razr têm preços bem elevados, maiores do que modelos top de linha. Outro ponto é que as telas, assim como as câmeras, de dezenas de smartphones lançados em anos recentes ainda são plenamente competentes, quando não ótimas. Por que gastar bastante para ter ganhos marginais nos recursos? No futuro próximo, há uma mudança de paradigma que pode motivar a troca generalizada de celulares: a massificação do 5G. Como é preciso de um aparelho compatível com a nova geração de telecomunicações móveis, que entrega velocidades muito maiores do que estamos acostumados, haverá incentivos para trocas. Talvez aí esteja o principal atrativo de Z Fold 2, Axon 20 5G e futuros lançamentos do mercado: estar pronto para o futuro. |
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