As redes sociais abrigaram um dentre os vários absurdos que ocorreram no Brasil nesta semana. A ativista de extrema-direita Sara Giromini recorreu às suas contas no YouTube, Facebook, Instagram e Twitter para divulgar o nome de uma menina de 10 que era estuprada desde o 6 e o local do hospital onde ela iria abortar. Funcionou. Muita gente apareceu para ampliar o trauma da criança. Nesta mesma semana, um grupo de gente contra vacinas resolveu levar o Facebook à Justiça nos Estados Unidos. O motivo? Não gostaram de ver seus posts chamados como mentira. Curiosamente, a organização cresceu após suas perigosas teorias se espalharem sem restrição pelas redes sociais. Colocados em perspectiva, os dois casos mostram como estes sites abrigam comportamentos inaceitáveis que, no fim das contas, acabam explodindo no colo deles. O problema, porém, é que todos nós somos atingidos pelas consequências. O que rolou?Em prisão domiciliar por ser investigada em um inquérito do STF, Giromini tem uma tornozeleira eletrônica com acessório inseparável. Pior para nós, ela também não afasta da internet, já que: Por que é importante?Mais ágil das três empresas, o Facebook quis deixar claro que sua decisão não teve nada a ver com a decisão judicial. Retirou o post do ar por ele violar suas políticas. O vídeo em questão foi removido por violar nossas políticas ao promover potenciais danos a pessoas no mundo offline de forma coordenada A remoção, porém, só veio quando o dano já estava feito. A situação mostra que violar as regras do Facebook compensa. Não só compensa como tem gente que se sente no direito de reclamar quando as descumpre. Foi o que rolou com o grupo antivacina Childen's Health Defense (CHD). Os caras ficaram bravos porque o Facebook anda rotulando seus posts como informação falsa e impediu que arrecadarem dinheiro pela rede social. Não é bem assim, mas está quase láA tese do CHD é um malabarismo retórico: acusa a companhia de violar a Primeira Emenda, um dispositivo que proíbe o Congresso de legislar sobre pontos como liberdade de expressão e de imprensa. Argumenta que, como o Facebook usa diretrizes de uma agência federal, é como se o governo tivesse "privatizado o papel censor público do Facebook". Oi? O simples fato de Giromini e CHD se sentirem confortáveis para fazer o que fazem mostra como a postura flexível das redes sociais é um incentivo aos mal intencionados. Estes sites afastam a todo custo a responsabilidade da moderação do conteúdo. Também usam a defesa à liberdade de expressão para manter no ar conteúdos que estão longe de ser meras opiniões contestáveis. No início de sua tramitação o PL das Fakes previa que as redes sociais teriam de excluir notícias falsas. As empresas chiaram. Não queriam virar juízes da internet. Depois de muito debate, o projeto já não prevê isso. Mas, afinal, hoje em dia, elas já não são as únicas que decidem o que pode ou não ser publicado e, de tempos em tempos, já não driblam as próprias regras para deixar abominações no ar? |
Nenhum comentário:
Postar um comentário