Bom dia!
Exuberância irracional: esse é o nome do fenômeno psicológico que descreve a formação das bolhas especulativas no mercado financeiro. O termo foi cunhado inicialmente por Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, e depois virou título de um livro escrito pelo economista Robert Shiller. Ali, ele elabora o conceito: a bolha acontece quando os aumentos de preços são suficientes para que a história se espalhe no boca a boca, fazendo mais gente investir e gerando novas altas. Isso tudo apesar das dúvidas dos próprios investidores sobre o preço ser caro demais em relação ao valor do ativo que ele está comprando.
Os futuros das bolsas americanas começam a segunda-feira e o mês de junho em alta, isso depois de terem fechado maio em suas máximas históricas. A disparada é puxada pela euforia com a inteligência artificial. Assim como na descrição da exuberância irracional, as dúvidas correm em paralelo com a euforia.
A inflação nos EUA segue robusta em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio, isso enquanto as negociações para o fim do conflito com o Irã parecem distantes do fim. Os dois países voltaram a trocar ataques na madrugada, e os preços do petróleo sobem nesta manhã. O avanço não parece afetar os ânimos em Wall Street.
Não faltam paralelos com a bolha da internet, na virada dos anos 2000. Ainda assim, um dos maiores problemas do mercado financeiro é a dificuldade de cravar que a euforia realmente foi irracional.
Enquanto isso, o Brasil vai ficando de fora da festa. O EWZ, fundo que representa as ações brasileiras em Nova York, recua no pré-mercado, ampliando as perdas de maio. O pessimismo é tanto que mesmo indicadores positivos, como o PIB robusto no primeiro trimestre, acabam sendo lidos com uma lente negativa (a tarefa mais difícil do Banco Central de levar a inflação para a meta). A agenda do dia tampouco deve ajudar. Por aqui, o único destaque é o Boletim Focus. Bons negócios.
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