Influenciadores digitais ajudam a determinar os rumos do consumo, do comportamento e do pensamento das pessoas. Só que lá na China, o governo decidiu adotar normas para regulamentar a atuação dos influencers. Quem conta essa história é o colunista Felipe Zmoginski. Desde o fim de junho, influencers que dão dicas de saúde, recomendam dietas, ensinam a fazer exercícios ou mesmo apresentam orientações sobre como lidar com problemas de saúde (física ou psicológica) devem aderir a um código de ética. Há, por exemplo, limitações para pessoas sem formação em ciências biológicas, como medicina, enfermagem ou fisioterapia, para explorarem determinados temas. Entram nessa regra também os influenciadores que ensinam os seguidores a lidar com problemas burocráticos, resolver conflitos com ajuda do Judiciário ou como tocar processos de separação de casais e guarda dos filhos. Para opinar sobre estes temas, é preciso ter conhecimentos jurídicos comprovados, ainda que não seja obrigatório ter um diploma em direito. O governo chinês criou ainda cursos superiores para as carreiras de live streamer e vendedor de live commerce (comércio online ao vivo). À primeira vista, essa medida parece ser uma maneira de manter os influencers sob as normas do governo. Mas o objetivo seria impedir que uma geração toda de jovens fãs de aplicativos de internet passe ao largo de uma qualificação profissional universitária. Nos cursos de live streaming, por exemplo, estuda-se iluminação, dicção, roteiro, mas também estatística, programação e administração de empresas. As medidas em voga na China, neste contexto, visariam qualificar quem deseja ser um influenciador e, ainda, impedir que a ação de pessoas leigas em temas como lei e medicina, espalhem notícias e dados equivocados, que possam causar prejuízo à sociedade. Para Zmoginski, o caso chinês é relevante por ser uma grande economia exercendo, de forma pioneira, uma regulação mais restrita sobre influenciadores e está em linha com o desejo das autoridades pequinesas de controlar mais de perto os efeitos da radical digitalização de sua sociedade. CONFIRA TAMBÉM UOL CARROS DO FUTURO Toda quarta-feira, a newsletter UOL Carros do Futuro traz tendências e debates sobre as novas tecnologias da indústria automobilística. Para se cadastrar e receber o boletim semanal, clique aqui. |
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