Olá, investidor. Como vai? As bolsas internacionais exibiam viés levemente positivo na manhã desta sexta-feira (22) diante de mais uma bateria de resultados positivos e após a informação de que a incorporadora chinesa Evergrande vai conseguir honrar seus compromissos de títulos em dólares. O movimento de apetite ao risco ganhou força nos últimos dias e as bolsas internacionais caminham para fechar mais uma semana de ganhos. Sem grandes dados macroeconômicos, o cenário microeconômico prevaleceu na semana, com resultados de empresas surpreendendo. A maioria das companhias apresentou lucro acima do consenso e capacidade de repassar as pressões de custos para não corroer suas margens operacionais. Em contrapartida, por aqui, convivemos com estresse para os ativos de risco, com o trio dólar, juros e Bolsa se deteriorando. A quinta-feira (21), que começou ruim com o endosso do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao rompimento do teto de gastos, foi piorando. O Ibovespa chegou a cair mais de 4% durante o pregão depois de o presidente Jair Bolsonaro anunciar "auxílio diesel" aos caminhoneiros - que deve custar certa de R$ 4 bilhões - e conversas de que o Ministério de Minas e Energia estuda empréstimos para o setor elétrico na tentativa de amenizar as altas nas tarifas. Porém o que é ruim pode piorar. Como foi comentado por aqui, o malabarismo fiscal ia continuar - dito e feito. Para comportar as novas demandas do Executivo e do Legislativo, a PEC dos Precatórios, além de institucionalizar um calote nessas dívidas, trouxe outra novidade que é a mudança de prazo de correção do teto de gastos. Quando da sua promulgação, o teto era corrigido pela inflação entre os meses de julho a junho do ano posterior. Agora a nova regra será de janeiro a dezembro. Com essa alteração, o governo ganha R$ 15 bilhões neste ano, e algo em torno de R$ 40 a R$ 50 bilhões no ano de 2022. A Bolsa até recuperou um pouco as perdas após a notícia da revisão do teto de gastos para acomodar o Auxílio Brasil. Com a tensão política e fiscal, o dólar subiu forte, levando o Banco Central a aumentar sua atuação no mercado de câmbio. Nas últimas 2 semanas, o montante de dólares injetado em leilões não previstos foi de US$ 4 bilhões. Mesmo assim, o dólar bateu R$ 5,67 na quinta-feira. E as quedas do minério de ferro e do petróleo pressionaram ainda mais o Ibovespa, que fechou em queda de 2,75%, aos 107.735 pontos. O que esperar? Com os precatórios e a mudança do teto de gastos, o Orçamento do governo cresce em torno de R$ 90 bilhões num ano eleitoral. Após essas alterações e propostas nas contas públicas, quatro integrantes da equipe econômica pediram demissão, mostrando a insatisfação que as novidades geraram. Agora, além dos recursos suficientes para os auxílios, o governo criou espaço no Orçamento para utilizar na máquina pública. A última vez que isso aconteceu foi na eleição de 2014. O malabarismo fiscal piorou. No 'Investigando o Mercado' de hoje (exclusivo para assinantes do UOL): novidades de dados operacionais da Trisul (TRIS3) e da Embraer (EMBR3). Abraços, Felipe Bevilacqua Analista de Investimentos de Levante CNPI - Analista certificado pela Apimec Gestor CGA - Gestor de Fundos certificado pela Anbima Administrador de Recursos e Gestor autorizado pela CVM Queremos ouvir vocêTem alguma dúvida ou sugestão sobre investimentos? Mande sua pergunta para uoleconomiafinancas@uol.com.br. 
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