sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

POLITICANDO: Os recordes de Bolsonaro

E mais: O ministro que tem inimigos imaginários
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BRASÍLIA, 20 DE dezemBRO de 2019
O presidente Jair Bolsonaro durante fórum em Abu Dhabi Foto: Satish Kumar/Reuters
Quatro anos em um
POR Francisco Leali
coordenador na SUCURSAL DE BRASÍLIA
Olá.

O presidente Jair Bolsonaro chega ao fim de seu primeiro ano de governo com marcas inéditas. Ao mesmo tempo em que patrocinou incontáveis declarações que não cabem no brando significado da palavra "polêmica", viu o Congresso aprovar a mais dura reforma da Previdência da história brasileira. Eleito pelo PSL com 55% dos votos, teve a legenda implodida antes de completar doze meses de gestão. Também foi o presidente a editar quase uma dezena de decretos para tratar do mesmo tema: a posse de armas. Ainda assim não conseguiu atender a tudo o que o público armamentista queria.

Quando veio o Carnaval, Bolsonaro usou as redes sociais para apresentar à população o "golden shower" de foliões em São Paulo. O protesto presidencial viralizou nas redes, tornando-se o primeiro escândalo midiático da gestão do ex-capitão. 

Ao longo do ano, Bolsonaro atirou em várias direções, elegendo muitas vezes a imprensa como alvo preferencial. Em agosto, O GLOBO compilou 58 insultos presidenciais até aquele momento — média de sete por mês. Naquele momento, por exemplo, veio o deboche sobre como reduzir os impactos ambientais:

— É só você deixar de comer menos (sic) um pouquinho. Quando se fala em poluição ambiental, é só você fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também, tá certo? — declarou o presidente.

O candidato que fazia o gesto da arminha com os dedos durante a campanha de 2018 não conseguiu se acertar com a caneta de presidente. No dia 15 de janeiro, assinou o primeiro decreto ampliando o porte e permitindo que cada cidadão pudesse comprar até quatro armas. "A questão das quatro armas foi uma decisão do PR", escreveu o ministro da Justiça Sergio Moro, num e-mail enviado a seus subordinados na época. Mesmo assim, o formato do decreto deve ter ficado muito aquém do que Bolsonaro queria. Quatro meses depois, editou novo decreto revogando o anterior. Seguiram-se outros até que o tema foi enviado sob a forma de projeto de lei para apreciação do Congresso.

Na ótica de Bolsonaro, Brilhante Ustra, acusado de tortura, foi herói; Greta Thunberg, a estudante sueca preocupada com o meio ambiente, é a "pirralha"; e o educador Paulo Freire, um "energúmeno".

Se nas redes disseminou frases de gosto duvidoso, no Congresso colheu vetos derrubados, ameaças de decretos revogados, mas também aprovou a proposta de emenda constitucional da reforma da Previdência. Essa última, menos pelo poder de articulação de sua equipe e mais pela adesão dos próprios líderes partidários à pauta econômica.
Um observador brasilianista poderia se surpreender com o volume de fatos e factoides ocorridos num mesmo ano. Pode esperar por mais no próximo.  
 
Vale a leitura:

Inimigo imaginário

Na última semana, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, deixou antever qual é seu maior temor: a volta do comunismo. Como quem descreve um inimigo imaginário, o chanceler declarou em texto que os riscos são claros e evidentes, principalmente na América Latina. Só parece difícil encontrar, no mundo real, uma equivalência do fantasma que o diplomata enxerga.
 
Um pequeno grande problema

O Ministério Público do Rio retomou a investigação que aponta para o senador Flávio Bolsonaro. O filho do presidente da República apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF) para, mais uma vez, tentar travar a apuração. O pai do investigado, o presidente Jair Bolsonaro foge do assunto , mas ficou com Flávio e seu advogado até altas horas no Palácio da Alvorada na mesma noite em que o recurso foi protocolado no STF. Pode sobrar mais uma vez para o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, decidir se atende aos pleitos da família presidencial.
 
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