Links do mês #119 e os não lugares, os tapumes interativos e as tampas de bueiros japonesasO que na cidade te faria parar para observar?Tem uma parada que eu acho incrível no Japão que são as suas tampas de bueiros. Em qualquer rua do país é possível se deparar com tampas lindas: vibrantes, bem acabadas, com uma ideia por trás da imagem. Ao invés das tampas meramente funcionais como aquelas que encontramos no Brasil, lá, uma tampa de bueiro chama muita atenção pela sua complexidade estética e informativa. Elas não são apenas coloridas. Seus designs fazem referências à cultura pop, à cultura da sua região, marcos e feitos marcantes da história do país, entre outras coisas. Uma pessoa pode ficar vários minutos analisando todos os significados de uma simples tampa. O que era para ser um objeto banal e mundano se transforma em um espaço para conexão com a cidade, com a história e com a cultura do país. E ainda vai além. As tampas possuem sua versão card, que os japoneses adoram colecionar. Suas lojinhas de souvenirs as usam como produto para turistas. Esses mesmos turistas, como o post acima mostra, viajam para lá e aproveitam para fotografá-las. Existem também as tampas temáticas de Pokemón, que né, não importando o formato é sempre uma febre. Tampas antigas são vendidas para colecionadores e impulsionam os cofres públicos. Existe até um encontro anual realizado pela empresa nacional de esgoto, onde as cidades divulgam suas novas estampas e entusiastas podem trocar cards e discutir os designs criados. Eu acho incrível a capacidade de um objeto tão simples adicionar tantas camadas para uma cidade, estado e, nesse caso, país. A história conta que as tampas estilizadas surgiram durante o pós-guerra, quando o Japão começou a se organizar e construir seu primeiro sistema de esgoto. Elas tinham o objetivo de celebrar o avanço desse novo benefício. O Estado queria que as pessoas olhassem para o chão, para essa conquista. Décadas depois, a prática se mantém, criando toda uma cultura em volta delas e fazendo pessoas do mundo todo também olharem para o chão. Os não-lugares Numa linguagem mais coloquial: são lugares desprovidos de personalidade, como um Hotel Ibis, sacam? Um lugar que, quando você está nele, pode ser em Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador ou Frankfurt. Shopping centers, aeroportos, supermercados e prédios comerciais são outros exemplos de não-lugares. Lugares que seguem padrões no mundo inteiro, logo, não possuem identidade local, tampouco conexão com seu território. Uma conclusão óbvia: quanto mais não-lugares em uma cidade, maior a chance da mesma perder sua personalidade. Por uma cidade mais interessante Me incomoda um tapume todo de uma cor só e a estética sem personalidade dos prédios novos. Odeio a quantidade absurda de fios nos postes e se eu ver mais uma nova farmácia nessa cidade eu acho que tenho um treco. Aqui, e imagino que em várias outras cidades também, gastamos o menos possível, pensamos muito pouco sobre as coisas e usamos os piores materiais em 90% das construções que criamos (dados não oficiais). O resultado é essa não-lugarização massiva que transforma história e conexão em uma cidade que não convida as pessoas a pararem e se encantarem com algo. A galera do Japão investe tempo, dinheiro e dedicação para criar tampas de bueiro que se transformam em atrações locais, enquanto nós vamos para o caminho oposto: como gastar o mínimo possível? É claro, não dá para comparar economicamente o Japão com o Brasil. Nossos gastos públicos possuem prioridades completamente distintas, só para dar um exemplo. Mesmo assim, gostaria que existisse alguma uma preocupação maior com fazer das nossas cidades lugares mais interessantes. Lugares que não se baseiam apenas em regras de consumo. Pegue sua News As duas pessoas que param e pegam uma newsletter ao final do vídeo eram desconhecidas que passaram no minuto seguinte ao fim da instalação. Terminei de colar, atravessei a rua e as duas passaram e já interagiram com os envelopes. Um tapume que antes era apenas uma parede sem vida, fez as pessoas pararem e levarem consigo um conteúdo novo. Se vão gostar das newsletter que botei ali, não importa. O que importa, pelo menos para mim, é ter transformado esses 3 metros de rua em um lugar um pouco mais curioso, diferente, incomum. Um lugar que fez as pessoas pararem. Um lugar para resistir ao não-lugar. As newsletters que imprimi e distribuí nos envelopes foram: Espero que gostem dos links:
⚡️💥💡 Meu amigo Gab Gomes lançou dias atrás uma série de 5 entrevistas comigo para debatermos o tema #criatividade. 5 horinhas destrinchando todo o processo criativo e os macetes que me ajudam a chegar em ideias novas. Para quem gosta do tema e não se importa em ouvir a minha voz por 5 horas, recomendo muito kkkk
Oie. Meu nome é Luciano Braga. Sou realizador de diversos projetos criativos nas áreas da comunicação, comédia, ficção e impacto social. Boto minha energia em iniciativas que desafiam minha criatividade, que empoderam pessoas e que deixam um legado positivo no mundo. Quer me conhecer? Vem no meu Instagram. |
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Links do mês #119 e os não lugares, os tapumes interativos e as tampas de bueiros japonesas
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