Oi, você! :) Tou cumprindo a meta de enviar essa news a cada 15 dias? Não. Tou te escrevendo com muito carinho? Sim. Então tá valendo, né? :) Nesse e-mail você encontra: - Uma lista tentando descaradamente te convencer a visitar o Pará (se tu já conhece e também gamou, me conta o porquê!)
- Textos sobre racismo e produtividade e um mini doc sobre o brega-funk
- Dicas pra ser aceitx na troca de trabalho por hospedagem, pra ter um blog profissional, pra aprender idiomas antes de viajar, pra explorar o Litoral Norte de Pernambuco e pra não se sentir um lixo quando "fracassar"
5 razões pra visitar o Pará o quanto antes Ah, o Pará. Eu tinha curiosidade de conhecer o estado há um tempo, mas nada me puxava pra lá com tanta força até que fui a Manaus. Na minha primeira vez na região Norte, em junho desse ano, um bichinho me mordeu. Felizmente não foi nenhum inseto, cobra peçonhenta ou piranha. ;) Foi o encantamento por esse viver entre rios, floresta e saberes ancestrais. E a vontade de entender um pouco mais sobre esse Brasil umbilical, essa mãe de todos nós que o colonialismo tenta apagar. Passei 10 dias entre Belém e a Ilha do Marajó e encontrei uma mistura indígena e negra saborosa. Encontrei chuvas intensas e rápidas no fim da tarde, o sol se pondo e nos derretendo ao mormaço, rios que parecem mar, gente que ama dançar. Uma amiga diz que seus estados preferidos são meu Pernambuco e o Pará. E eu entendo: acredito que existe algo de visceral e intrínseco na forma de viver a cultura tanto aqui quanto lá. Já saiu lá no blog um texto respondendo a uma pergunta frequente: quanto custa viajar pra Belém? Ainda vou publicar outros posts sobre essa viagem, tipo o que fazer em Belém e no Marajó. Mas enquanto isso, vim me enxerir aqui na sua caixa de entrada pra fazer um apelo: conheça o Pará. Quer motivos? Te dou pelo menos cinco: - A música
O primeiro momento em que pensei "putz, que massa estar aqui" durante minha viagem pra o Pará foi numa noite de carimbó no Espaço Cultural Apoena. Cultura popular é uma coisa linda, né? E, vale sempre lembrar, é resistência. Antes de chegar lá, eu conhecia o carimbó através de Dona Onete, senhora fofa que ajudou muito a espalhar o ritmo paraense pelo Brasil, como conta nessa entrevista pra Revista Continente. Fui a um show dela no Recife esse ano e achei a coisa mais fofa. Ver os músicos animadíssimos em Belém e arriscar os passos lá no Marajó, num ensaio do grupo cultural Cruzeirinho, esteve entre as partes mais gostosas da viagem. E se você for ruim de dança que nem eu, nem se preocupe: é só pegar emprestada uma das saias rodadas e floridas usadas pelas dançarinas, que de alguma forma mágica o negócio sai. Ah, e como falar em Pará e não mencionar o tecnobrega? Uma mistura de ritmos como calypso, forró eletrônico e pop, esse danado se espalhou pelo Brasil através de nomes como Gaby Amarantos e fez bastante sucesso aqui no Recife. Eu tive a sorte de ir junto com uma galera de lá ver o pessoal dançar até derreter de suor numa festa universitária, com uma vibe que me lembrou muito o brega-funk pelas minhas bandas. Fiquei de cara com todo mundo indo até o chão (incluindo homens hétero, que tantas vezes têm pudor em rebolar). E, na mesma noite, ainda fui conferir uma das famosas festas de aparelhagem, que contam com equipamentos de som e luz bem extravagantes. Daquelas experiências que vão além de qualquer ponto turístico. - As comidas
Além de me introduzir musicalmente ao Pará, o carimbó me apresentou ao tremor do jambu. A flor anestesia a língua e deixa a cachaça uma delícia, como descobri quando um amigo trouxe a bebida ao Recife desde terras paraenses. Mas foi em Manaus e Belém que descobri de fato o poder do jambu, comendo com arroz, pato, pastel, tacacá... Só de pensar, começo a salivar. Sem falar no açaí VERDADEIRO, como eles fazem questão de ressaltar. Me senti muito paraense ao descobrir que gosto mais da versão deles, servida com peixe frito e farinha, que da mistureba doce que ficou famosa no resto do país e exportada mundo afora. E falando em peixe e farinha: gente!!! Quantas variedades de farinhas saborosas e crocantes é possível inventar? E por que passei toda minha vida achando que não era muito fã de peixe, enquanto o que me faltava era provar os de lá? Comi o tal do filhote quase todos os dias e fiquei longe de enjoar. Tem também a maniçoba, espécie de feijoada local que faz muito mais bonito na boca do que no prato (beleza não põe mesa, amores). Já o tucupi, caldo feito a partir da mandioca brava, marca presença em várias preparações, mas minha combinação preferida foi com o arroz de pato. E aí, já pertinho do fim da minha viagem, experimentei o queijo e o filé marajoara. A Ilha de Marajó tem uma população de três búfalos por pessoa, maior rebanho desses animais do Brasil. E tanto o queijo quanto a carne de búfalo são muito, muito gostosos – ainda mais quando servidos juntos, como é tradição por lá. Achei golpe baixo. - Os rios wannabe mar
Pra quem foi criado à beira-mar, é difícil acreditar. "É mesmo rio isso aí? Com toda essa imensidão oceânica que parece não ter fim? Com essas ondas tamanhas que dão até pra surfar?" As praias de rio do Pará são assim: superlativas, enganadoras. "Sério mesmo que não estamos no litoral?", você certamente vai se perguntar. E preciso confessar: apesar de ser apaixonada por praias do tipo marítimo, digamos assim, achei uma delícia entrar na água e não sair cheia de algas e sal. E achei massa experimentar essa atmosfera diferente do que sempre me pareceu ser "O" conceito de praia. Que delícia quando a gente sai de uma ideia única e amplia as possibilidades, né? - Os rios que são estrada
Outra coisa sobre rios: é massa, nessa região do Brasil, ver como eles também são estradas. Um riozinho se liga a outro que se conecta a um maior, enquanto Igarapés, igapós e furos servem de passagem aquática pela mata. E que passagem, viu? Coisa mais linda! Tem menos asfalto e mais natureza, menos concreto e mais água, menos pressa e mais paciência. Verdade, é claro, que se constroem mais e mais estradas e pontes, queimam matas e poluem rios. Mas que bonito é ver a vida que acontece sobre as águas. Além de viver isso indo duas vezes pra Ilha do Combu, circulando pelo Marajó e em outros momentos "ao vivo" em Belém e arredores, pensei sobre o assunto no Museu Amazônico da Navegação, no Mangal das Garças. Uma das partes da exposição falava em como os portugueses, grandes navegadores, precisaram aprender muito com os índios ao chegar na Amazônia. Afinal, navegar no rio é bem diferente de cruzar o mar. E pra certas coisas não há nada como os saberes ancestrais. - As pessoas
Sei que é sempre um clichê e generalização falar sobre "as pessoas". Mas parece que tem um quê de jambu também no jeito do paraense. Tem um acolhimento, uma tranquilidade, e ao mesmo tempo uma alegria vibrante. Pode ter sido sorte, mas nos meus dias por lá não vi nada além de sorrisos, calma e animação. E voltei pra casa levinha, levinha. Como quando a gente flutua num rio, sabe? Links interessantes que encontrei por aí A questão racial no Brasil, no Nexo: vale conferir essa compilação de notícias, análises, gráficos e reportagens que abordam a desigualdade racial e o preconceito. Porque o mês da Consciência Negra já tá terminando, mas a luta do povo negro no Brasil é diária e ainda temos todxs muitíssimo que caminhar. A jornada de trabalho de 8 horas é uma mentira contraproducente, na Wired (em inglês): uma reflexão dentre tantas que ajudaram a me tirar um peso das costas por ser minha própria chefe e me culpar por não trabalhar sempre em "horário comercial" (e, consequentemente, acabar trabalhando em horário infinito). O brega-funk vai dominar o mundo, no YouTube: esse mini documentário do Spotify é o segundo episódio da série Música pelo Brasil e conta a história desse fenômeno cultural nascido nas favelas recifenses que tem ganhado reconhecimento pelo país. Posts do Janelas Abertas que merecem seu clique Como fazer uma boa aplicação para ser selecionado no Worldpackers 50 dicas para quem quer ter um blog de viagens profissional Como aprender o básico de um idioma para viajar Litoral Norte de PE: o que fazer em Itamaracá, Igarassu e Itapissuma Precisamos falar sobre o fracasso Gostou da newsletter? Encaminha pra um amigo! Recebeu de alguém? Assina aqui! :) Um abraço e boas viagens, Luísa | | | | |
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