Foi-se o tempo em que a exploração do espaço era feita exclusivamente por estados fortes que queriam mostrar seu poder para o mundo. Lembra da Guerra Fria? Então? Os tempos mudaram e cada vez mais a iniciativa privada faz parte desse universo de viagens para o espaço. Quer dizer, as empresas até são privadas, mas parte do dinheiro é público. É o que explica o colunista Thiago Gonçalves, que traz uma reflexão sobre a privatização da exploração espacial. 
Você viu aqui em Tilt que os megabilionários estão meio que competindo entre eles pelo pioneirismo no turismo especial. Elon Musk, homem mais rico do mundo e recentemente escolhido como personalidade do ano pela revista Time, é presidente da SpaceX. O britânico Richard Branson está à frente da Virgin Galactic. E o fundador da Amazon, Jeff Bezos, brinca de Nasa com a empresa Blue Origin. A SpaceX, em particular, também chama a atenção com seus foguetes, capazes de aterrissar verticalmente no retorno à Terra, barateando os custos do transporte de carga para o espaço, e que já são usados pela Nasa. 
Tem muita gente celebrando essa nova corrida espacial, mas Thiago Gonçalves faz uma pergunta importante sobre esse momento: a quem serve a exploração interplanetária privada? Grande parte dessa empreitada dos bilionários rumo ao espaço é promovida por dinheiro público. A SpaceX, por exemplo, conseguiu em outubro um contrato de quase US$ 3 bilhões com a Nasa para construir um sistema de pouso na Lua. A empresa americana recebeu outros US$ 140 milhões da agência espacial para construir um módulo de habitação luxuoso na Estação Espacial Internacional. Mesmo com fundos do Estado, é quase impossível para o cidadão comum participar dessa aventura. Bilhetes antecipados rumo ao espaço custam a bagatela de US$ 250 mil, mas as filas de espera já são longas. Essa não é uma crítica aos empresários. Gonçalves lembra que a SpaceX, em particular, conseguiu um avanço tecnológico que diminui os custos de lançamentos de foguetes, o que facilita, por exemplo, o desenvolvimento de observatórios astronômicos no espaço. No entanto, é fundamental deixar claro que essas empresas estão buscando lucro para si ou seus acionistas, da mesma forma que fecham contratos com valores estratosféricos (com o perdão do trocadilho) com o Departamento de Defesa dos EUA para o desenvolvimento de tecnologias militares. Devemos, então, parar o progresso, fechar as novas empresas espaciais? Não, longe disso. Mas nossa responsabilidade é refletir, pensando na aplicação de verbas públicas e na responsabilidade inerente ao processo. Afinal, se construirmos um hotel de luxo no espaço, quem poderá se hospedar ali?

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