Bom dia, Brasil. Boa tarde, Itália. Como estão, caros leitores desta newsletter? Antes que vocês respondam, um lembrete: está acabando o ano de 2021. São as últimas semanas do ano, ninguém aguenta mais. O recesso tá quase aí. Minha indicação é que você se prepare para os festejos natalinos escutando o vozeirão de João Gomes, o novo fenômeno musical do Brasil. Não sabe quem é? Tudo bem, a gente acompanhou um show do garoto para entender como um garoto de 19 anos está embalando praticamente todas as festas do país. Pulando para um papo mais sério, fomos a Dourados (MS), onde igrejas pentecostais estão por trás de ameaças e agressões contra a fé tradicional dos guaranis-kaiowás. Cinzas da Fé Na reportagem especial da semana, os repórteres Rodrigo Bertolotto e Vinícius Konchinski investigaram os ataques a casas de reza na aldeia de Laguna Carapã, município a 284 km de Campo Grande (MS). Só em 2021, centros da religião tradicional guarani-kaiowá passaram por sete incêndios criminosos. A causa da intolerância envolve o crescimento de igrejas pentecostais entre os indígenas. Avisa que é ele
Fenômeno nacional e fã incondicional de Luiz Gonzaga. Com apenas 19 anos, João Gomes dominou as paradas de streaming, botecos, praias, festas e jukebox de bares por todo o Brasil. No Centro de Tradições Nordestinas, Tiago Dias acompanhou um show deste garoto de vozeirão grave e conversou com o cara da vez sobre suas influências musicais. Bicho de sete cabeças
Empresas particulares descumprem a lei e não exigem laudo médico para fazer remoção de pessoas para clínicas psiquiátricas. É o que o jornalista Daniel Lisboa apurou, ao telefonar para diversas empresas, fingindo ser um familiar que deseja internar um dependente químico. Mesmo sendo uma prática ilegal, grande parte das empresas aceitou sem questionamentos fazer a remoção à força de pessoas, prescindindo do aval médico. Essa é apenas a porta de entrada para um problema mais profundo, envolvendo denúncias recentes de clínicas que empregam métodos violentos para tirar pacientes de suas casas. Travesti é poder
O repórter Mateus Araújo passou uma tarde com Márcia Rocha, que será a primeira travesti conselheira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo. Na sua casa, a advogada conta como foi seu processo de transição de gênero e a luta pelo reconhecimento dos direitos da população trans. Em 2017, Rocha foi a primeira advogada a ter uma carteirinha do órgão emitida com seu nome social. Além disso, fundou o Transempregos, projeto que dá formação profissional e articula parcerias para empregabilidade de travestis e transexuais no Brasil. Em 1º de janeiro, Rocha fará história mais uma vez, ao assumir a nova gestão na OAB. "Gosto de mostrar que tudo é coisa de travesti. A gente tem o direito de ter o que a gente quiser, de estar onde a gente quiser", disse. Faça-se a luz Gigantes e ameaçadoras, as torres de transmissão de alta tensão são responsáveis por trazerem energia para a capital de São Paulo. Abaixo delas, ocupando extensos terrenos vazios, estão desde comunidades que sofrem com a falta de moradia digna a sedes de ONGs que aproveitam o espaço verde, abaixo das torres, para plantar alimentos. Em alguns locais, as suntuosas estruturas metálicas fazem as vezes de paredes em moradias precárias, ainda que possam trazer riscos à população que vive ao seu redor. O repórter Rodrigo Bertolotto percorreu parte das "avenidas elétricas" da cidade.
Terapia do cheiro Médicos do Hospital das Clínicas, em São Paulo, explicaram à jornalista Sibele Oliveira como é feita a reabilitação do olfato e paladar. Atendendo a pacientes que tiveram covid-19 e que até agora não recuperaram esses sentidos — sequelas comuns da doença —, os médicos fazem uma série de treinamentos olfatórios para refazer as conexões neurais. São exercícios relativamente simples, exigindo que o paciente sinta odores de famílias olfativas distintas. A taxa de recuperação é alta, felizmente. Arte ou Chernobyl? Em 1995, André Dias montou sua loja de venda e aluguel de equipamentos hospitalares em frente à praia de Amaralina, em Salvador (BA). Com a mente nos negócios, decidiu usar sua veia artística para chamar atenção de potenciais clientes. Foi assim, improvisando, que passou a criar bonecos de fibra de vidro para decorar a fachada da loja. Muitos se movem, soltam bolhas de sabão ou são releituras (bastante livres, diga-se de passagem) de personagens populares. O empenho é tamanho que algumas de suas criações chegam a custar mais de R$ 40 mil. A loja virou ponto turístico não-oficial de Salvador. Há quem diga que os bonecos são feios, mas o empresário não está nem aí. "Quem quiser ver um boneco perfeito, que vá pra Disney", resumiu Dias ao jornalista Victor Uchôa. Sem água, sem paz Em um dos bairros mais adensados de Maceió (AL), cerca de 50 mil moradores estão há dois meses sem acesso à água encanada e sem qualquer previsão do retorno do serviço. Nas ruas do bairro Cidade Universitária, o jornalista Jean Albuquerque acompanhou a peregrinação de moradores para encher baldes em poços artesianos e caminhões-pipa. A falta de água decorre de reparos realizados pela BRK, empresa que assumiu o serviço de abastecimento de água na cidade após a privatização promovida pelo governo de Renan Filho (MDB). A BRK é obrigada fornecer caminhões-pipa às regiões afetadas até a normalização do serviço, mas um líder comunitário flagrou um dos caminhões sendo abastecido com água poluída. Chegou a hora É oficial: Deltan Dallagnol finalmente entrou para a política. No evento, promovido pelo Podemos, em Curitiba (PR), para celebrar sua filiação, o ex-procurador sorriu, tirou foto com Sergio Moro e se esquivou da imprensa o máximo possível. No seu discurso, falou 41 vezes a palavra "corrupção". Disse ainda que o Brasil precisa de uma "segunda dose" para se livrar definitivamente do PT. Do lado de fora do hotel, como presenciou Plínio Lopes, dezenas de militantes políticos protestaram contra Dallagnol. "Vá fazer Powerpoint", disse o áudio que tocou em loop na caixa de som trazida pelos manifestantes.

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