quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Bolsas seguem em ritmo de festa após alívio com o Fed

Abril Comunicações
ABERTURA DE MERCADO
 
Europa e índices futuros dos EUA dão continuidade ao movimento de alta que começou ontem, após o banco central americano anunciar três altas brandas nos juros em 2022.
 
 
Por Alexandre Versignassi e Juliana Américo
 
 
Bom dia!
 
Vem uma mensagem do mozão ou da mozona no Whats: "Precisamos ter uma conversa séria". Pronto. Você tem certeza de que vai vir bomba. Já prepara o traseiro, sabendo que ele está na iminência de levar um pé. Mas não. Quando a conversa vem, você descobre que era só para resolver de uma vez onde é que vocês vão passar o Ano Novo. Ufa.
 
É mais ou menos o que o mercado está sentindo depois da decisão do Fed. O Banco Central dos EUA se reuniu durante terça e quarta para decidir o futuro da política econômica por lá. Como a inflação dos EUA está no maior nível em 12 meses desde 1982 (6,8%), sabe-se que não há outra política econômica que não a de subir os juros.
 
E agora? O que é que os caras iriam resolver nessa reunião? Aumentar os juros já? Tascar uns 2% logo, para mostrar serviço, e dizer que, se precisar, vai a 5%? Bateu o pânico: uma medida intempestiva do Fed poderia deprimir as bolsas, que não são se dão bem com juros altos.
 
Mas não. O que veio foi um aceno para três pequenas altas em 2022, de 0,25 ponto percentual cada. Como os juros hoje estão numa banda entre 0% e 0,25%, o ano que vem fecharia em palatáveis 1%.
 
De mais agudo, só a redução no dinheiro que o Fed injeta todo mês nos bancos, via compras de títulos públicos e dívidas imobiliárias. Desde o primeiro semestre de 2020, esse estímulo monetário era de US$ 120 bilhões por mês. Em novembro, anunciaram que ele seria reduzido em US$ 15 bilhões a cada 30 dias. Agora, aumentaram o ritmo do corte para US$ 30 bilhões ao mês – o que vai encerrar esse "Auxílio Banco" em março.
 
Mas isso já era esperado. A surpresa mesmo poderia vir na parte dos juros. Mas não veio. E ainda rolou o compromisso de que o primeiro aumento nos juros só virá depois de março.
 
Foi um alívio. As bolsas já fecharam em alta ontem, e seguem apontando para mais um dia no azul, com índice europeu em alta de 1,4% (veja abaixo) e os futuros dos S&P 500 e do Nasdaq em alta de mais de 0,5% – um movimento que o Ibovespa tende a acompanhar. A alta do minério de ferro nesta manhã (4,56%) também promete uma mãozinha extra para a nossa bolsa.
 
Ainda nesta manhã sai o número de pedidos de seguro desemprego nos EUA relativo à semana passada. A expectativa é otimista. O último dado foi o melhor em 52 anos: apenas 184 mil pedidos (contra um pico semanal de 6 milhões no início da pandemia). Espera-se agora 200 mil. Um número muito acima desse, então, pode jogar água no chope do mercado. A ver!
 
Boa quinta.
 
 
O dia começou com tendência de… alta
• Futuros S&P 500: 0,55%
• Futuros Nasdaq: 0,63%
• Futuros Dow: 0,45%
 *às 7h40
 
 
Índice europeu (EuroStoxx 50): 1,43%
• Bolsa de Londres (FTSE 100): 0,83%
• Bolsa de Frankfurt (Dax): 1,43%
• Bolsa de Paris (CAC): 0,89%
*às 7h30
 
 
• Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): 0,58%
• Bolsa de Tóquio (Nikkei): 2,13%
• Hong Kong (Hang Seng): 0,23%
 
 
 
• Brent: 1,10%, a US$ 74,69*
• Minério de ferro: 4,56%, US$ 116,06
*às 7h30
 
 
08h O Banco Central divulga Relatório Trimestral de Inflação e apresenta sua nova estimativa para o PIB de 2022.
10h30 O Ministério do Trabalho dos EUA divulga o número de pedidos de seguro-desemprego da semana passada.
15h Reunião da CMN (Conselho Monetário Nacional).
 
 
Fusão
A Eneva anunciou a compra da Focus Energia por R$ 960 milhões. A empresa vai assumir a carteira de clientes e o portfólio de projetos renováveis da Focus, que somam 3,7 gigawatt-pico (GWp) de potência. A operação faz parte da estratégia da Eneva de diversificar seu portfólio com fontes renováveis, principalmente de energia solar. A operação deve ser concluída até 14 de abril de 2022, mas pode ser prorrogada por três meses. Ontem, os papéis da companhia fecharam em alta de 1,67%.
 
Unidas e Localiza
Depois de um ano de três meses, a Unidas e a Localiza finalmente vão poder juntar as escovas de dente. O Cade aprovou a fusão das locadoras de veículos, por 3 votos a 2. No entanto, existem restrições e algumas medidas deverão ser adotadas: como a alienação da marca Unidas, acordo para não execução de cláusulas de não concorrência com outras marcas e desinvestimento em veículos seminovos. O presidente do Cade, Alexandre Cordeiro, afirma que o novo acordo permite que a participação de mercado da nova empresa fique abaixo de 50%.
 
 
Unicórnio
O Brasil ganhou um novo unicórnio: a startup Olist, que atua no segmento de e-commerce, levantou R$ 1 bilhão em uma rodada de captação série E – ampliando o seu valor de mercado para US$ 1,5 bilhão. O investimento veio do fundo de private equity americano Wellington Management e dos fundos SoftBank, Goldman Sachs, Globo Ventures e Valor Capital Group. Em entrevista para a Exame, o CEO da startup, Tiago Dalvi, afirma que, embora o valor chame atenção, a captação estava dentro do esperado. Não esperamos valuations inalcançáveis e o que entregamos aos investidores é algo bem pé no chão". Agora, a empresa planeja a sua expansão internacional, começando pelo México. Leia a entrevista completa aqui.
 
Energia solar
A Índia é o terceiro maior emissor de carbono do mundo. Mas ela quer mudar essa imagem e se tornar um peso pesado na produção de energia renovável. Só tem um problema: a China. Conforme relata o The Wall Street Journal, até pouco tempo, as empresas de energia renováveis do país estavam focadas em construir enormes fazendas solares usando painéis importados da China, mais baratos. O problema é que isso torna a Índia ainda mais dependente do vizinho – um aumento repentino nos preços poderia jogar os planos por água abaixo. Agora, as companhias planejam fazer seus próprios painéis e componentes. Leia a reportagem completa aqui (em inglês).
 
 
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