Bom dia!
No universo das metáforas econômicas, política monetária costuma ser comparada com navios transatlânticos. Existe um longo delay entre tomar uma decisão de elevar juros e o efeito da medida sobre o controle da inflação. Estimativas de economistas falam em ao menos seis meses.
Faz sentido, já que leva um tempo para que, por exemplo, as pessoas tentem contratar crédito – e desistam porque o custo está elevado. O mesmo vale para incentivar as pessoas a pouparem, já que os investimentos passam a render mais. Esses são dois dos mecanismos que fazem com que a alta da Selic controle a inflação.
O Banco Central iniciou o atual ciclo de aperto monetário em setembro do ano passado. Na reunião de quarta-feira, elevou a Selic para 14,75% ao ano, o maior patamar desde 2006, impulsionando o juro real brasileiro para mais de 9%.
Mas ainda não está claro quando a medida de fato será sentida na forma de preços mais contidos. Nesta sexta, o IBGE divulga a inflação de abril, com a expectativa de que os preços comecem a desacelerar. Em doze meses até março, o IPCA estava em 5,48% – e economistas ouvidos pelo BC semanalmente falam que os preços devem fechar dezembro a 5,53%, acima da meta.
A divulgação do IPCA devolve à Faria Lima alguma chance de se concentrar no noticiário doméstico. No cenário internacional, o dia será marcado pelas especulações em torno do início das negociações entre Estados Unidos e China para desescalar a guerra comercial iniciada pelos EUA.
As notícias indicam que Trump poderia propor alíquotas ao redor de ainda surreais 60% para a China, ante os atuais 145%.
Os futuros americanos operam em alta, mesma direção das bolsas europeias. O EWZ, fundo que representa as ações brasileiras em Nova York, segue a tendência positiva e avança. Bons negócios.
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