Os caminhos que me trouxeram até aquiComo a vida me trouxe até o ensino de português pra estrangeiros
Oii💛 Tudo bem por aí? Faz um tempão que eu não apareço por aqui, né? Aliás, recentemente eu até mandei um e-mail por engano pra essa newsletter que, na verdade, era pra outra que comecei a publicar em inglês. E esse erro me fez lembrar que faz tempo que eu quero vir aqui explicar o que mudou na minha vida nos últimos anos e por que tou tão sumida. Eu ainda atualizo o blog Janelas Abertas (por onde você provavelmente me conheceu), mas venho me dedicando cada vez mais à minha carreira como professora de português pra estrangeiros. E tem sido uma das experiências profissionais mais gratificantes que eu já vivi. Essa mudança não foi muito planejada, nem era um sonho antigo. Mas recentemente percebi como ensinar português foi quase um resultado natural de toda a minha trajetória até aqui. 1. Eu decidi que queria ser jornalista ainda adolescente. Uma das coisas que mais me encantavam nessa profissão era a possibilidade de estar sempre aprendendo sobre assuntos diferentes, conhecendo novas histórias e transformando isso em algo interessante ou útil pra outras pessoas. Acho que sempre fui movida pela vontade de pegar algo complexo ou distante e traduzir de um jeito mais claro, humano ou interessante. (E sinto que ainda faço isso hoje, nas aulas). Fui repórter por um tempo e depois continuei trabalhando com comunicação de várias formas diferentes. Passei pela publicidade, produção de conteúdo pra redes sociais, blog, revisão, edição… de um jeito ou de outro, sempre trabalhei com linguagem. Mas a comunicação foi só uma parte dessa história. 2. Minha família materna morou no exterior por muitos anos, por causa da carreira acadêmica do meu avô. Ao voltarem pra o Brasil no comecinho da vida adulta, minha mãe e minha tia começaram a trabalhar como professoras de inglês por uma questão de sobrevivência, e seguiram nessa carreira por muitos anos. Por isso, a ideia de ensino sempre fez parte do meu universo de alguma forma (ainda que as experiências delas como professoras não tenham sido nada fáceis e, por isso, eu sempre tenha pensado na profissão como algo precarizado – o que daria assunto pra outra newsletter). Também por isso, tive o privilégio de crescer sabendo que viver outras culturas era algo possível, e fui incentivada a aprender inglês desde cedo. E enquanto muitas amiguinhas iam pras aulas da Cultura Inglesa contrariadas, eu ficava empolgada com essa magia que é descobrir outro mundo através duma língua. Quando terminei a escola fui estudar francês e espanhol, e depois um pouco de alemão. Durante a maior parte da vida, o aprendizado de idiomas foi meu maior hobby. 3. Depois vieram as viagens. Por mais que minha família tivesse esse histórico de experiências internacionais, eu cresci com certo nível de ansiedade social e morria de medo do desconhecido. Mas quando comecei a faculdade, resolvi sair da zona de conforto e lidar com esse medo me jogando naquilo que me apavorava e atraía em mesma medida – a vida em lugares desconhecidos. Viajar, principalmente através de intercâmbios, mudou completamente a minha forma de enxergar o mundo e a mim mesma. Foi dessa sensação, inclusive, que nasceu o nome Janelas Abertas. Lá em 2012, quando criei o blog, eu estava indo fazer mestrado na Espanha e já tinha descoberto como as viagens podiam abrir nossas janelas pra o mundo. E grande parte dessas experiências só foi possível graças aos idiomas. Foram eles que me permitiram estudar e voluntariar em vários países (inclusive com bolsas), participar de eventos internacionais e me conectar com pessoas de culturas muito diferentes. 4. Em paralelo, também fui aprofundando minha relação com o Brasil. Viajar cada vez mais pelo meu próprio país, em parte por causa do blog, me ajudou a enxergá-lo com outros olhos. Conheci quase todos os estados brasileiros e fui me apaixonando ainda mais pela riqueza, diversidade e complexidade da nossa cultura. E quando estava fora, enxergava com mais clareza o que torna nosso povo tão especial. 5. Hoje vejo que o ensino de português pra estrangeiros me permite unir muita coisa importante pra mim: meu amor por idiomas, minha experiência com comunicação, minha paixão pela cultura brasileira e pela língua portuguesa, minha curiosidade por outras culturas e minha vontade constante de aprender. Porque cada aluno traz uma nova visão de mundo, uma nova história, uma nova forma de enxergar o Brasil e de se relacionar com a língua. Além disso, hoje eu tenho algo que me faltava em muitas das minhas experiências profissionais anteriores: consigo ver de forma muito concreta o impacto do meu trabalho. Acompanho pessoas ganhando confiança, construindo pertencimento em um novo país, criando conexões mais profundas com quem amam, se desafiando, descortinando novas oportunidades pessoas e profissionais... É massa demais! Então, ainda que essa não tenha sido a carreira que eu imaginei lá atrás, hoje ela faz tanto sentido que parece que tudo foi me trazendo até aqui. Como se ensinar português fosse, no fim das contas, o ponto de encontro natural de tudo aquilo que sempre fez parte de quem eu sou 💛 Você também viveu algo assim? Me conta! Beijos, Luísa You're currently a free subscriber to Abra suas Janelas. For the full experience, upgrade your subscription.
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sábado, 16 de maio de 2026
Os caminhos que me trouxeram até aqui
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