Dias de terror no Equador. Facções criminosas promoveram nos últimos dois dias uma onda de ataques violentos, depois da fuga da prisão de um criminoso conhecido como Fito, chefe de um dos mais de 20 grupos que disputam rotas do narcotráfico no país. Homens encapuzados e armados invadiram um programa de TV ao vivo. Houve também relatos de uma invasão a uma universidade em Guayaquil. Em algumas cidades, houve tiroteios, agentes policiais sequestrados, explosões e carros queimados. Um brasileiro estaria entre os sequestrados. Nesta terça, fugiu da prisão mais um líder de outra facção, que estava preso em meio a uma investigação de um plano para assassinar a procuradora-geral do Equador. O presidente Daniel Noboa decretou estado de conflito armado no país. Ele determinou operações das Forças Armadas contra os grupos, considerados terroristas pelo governo. No UOL News, o professor de relações internacionais Leonardo Trevisan disse que a crise no Equador deriva do processo de privatização da segurança pública. "O Equador teve uma absurda privatização da segurança pública, talvez o mais alto índice de toda América Latina: o país tem mais de 125 mil homens armados em segurança privada, o dobro dos policiais... O resultado está bastante visível." Na Folha, o jornalista João Paulo Charleaux escreve que o decreto de Noboa é uma declaração de guerra civil. Brasil gasta muito com militares inativos Enquanto isso, no Brasil, caem os gastos com a Defesa, mas os custos com os militares da reserva pesam cada vez mais (no ano passado, o governo brasileiro gastou R$ 33 bilhões com o pagamento de militares e R$ 32 bilhões com militares inativos), observa o colunista José Roberto Toledo. "Os gastos com militares estão diminuindo, mas o dinheiro é muito mal gasto, porque se gasta muito com gente que não tem o que fazer, o Brasil não tem guerra, e isso penaliza coisas mais prioritárias." Toledo traz os números: no ano passado, o governo federal gastou R$ 14 bilhões com segurança pública e R$ 92,4 bilhões com a defesa nacional. |
Nenhum comentário:
Postar um comentário