"Vamos ao circo!", dizia meu pai, feliz. Talvez tenha sido o tipo de espetáculo a que mais assisti na minha infância. Se o circo chegava, lá estava eu. Lembro do frio na barriga de ver o número de trapézio e de corda bamba, da minha quase irritação por não descobrir como o mágico criava ilusões perfeitas e do meu deslumbramento pelos animais (infelizmente tinha essa parte naquela época). Mas o que mais ficou na minha memória foram os palhaços. Eu gostava e sentia pavor ao mesmo tempo. Eles entravam no circo gritando e montados em um carro que dava estouros altíssimos. Eu tinha horror àquele som que me assustava e machucava meus ouvidos, e eu sempre chorava. No minuto seguinte, no entanto, ria com as muitas palhaçadas. Talvez tenha sido conscientemente o primeiro sentimento contraditório de que tenho lembrança. Muita coisa mudou no circo de lá para cá e, inclusive, a palhaçaria atual é muito diferente - não tenho a lembrança de ver uma palhaça no picadeiro naquela época. Penso que o lirismo do palhaço de hoje só se via em Chaplin, "O Gordo e o Magro", "Os Três Patetas". Fazer rir é uma das artes mais difíceis. O artista precisa remexer suas tripas para encontrar seu maior ridículo e ter coragem para oferecer ao respeitável público suas fraquezas lapidadas. Taí uma profissão profunda e de tirar o chapéu. Dia 10 de Dezembro é o Dia Universal do Palhaço e da Palhaça. Que tal levar as crianças para homenagear esses profissionais incríveis? A seguir, duas dicas de companhias de palhaças que merecem muitos aplausos! Circo di SóLadies | Nem SóLadies Cia Pelo Cano |
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