| | Leia um trecho da entrevista: "Ao contrário do que alega a quase totalidade dos intelectuais, argumento na minha tese que as ideias não governam o mundo. Elas vêm, quase sempre, a reboque. São usadas apenas como um verniz legitimador para projetos de poder. Há muitos exemplos disso ao longo da história política e da filosofia. Essa ilusão começou lá atrás, com Platão. A certa altura, ele acreditou que poderia se tornar o guru do Dionísio II, o tirano de Siracusa, na ilha da Sicília. O filósofo grego ficou tão entusiasmado que foi até lá aconselhá-lo a implantar um modelo ideal de monarquia. Ninguém sabe muito bem o que aconteceu, mas a coisa deu tão errado que Platão se tornou escravo. Seus amigos de Atenas tiveram que comprá-lo de volta. Essa ilusão do intelectual de que ele vai fazer a cabeça do governante é profundamente equivocada. Outro exemplo é o do economista americano Milton Friedman. Após assumir a Casa Branca, o republicano Richard Nixon prometeu seguir o monetarismo da Escola de Chicago. A coisa desandou de tal maneira que Friedman declarou: "Se isso é monetarismo, então eu não sou monetarista". Não acredito em governantes que se escondem atrás de grandes filosofias ou ideologias. Na verdade, eles usam o pensamento de terceiros para dar uma legitimidade aos seus projetos." | |
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