Olá, Nos últimos meses, investidores de todo o mundo têm olhado para dois dados: a inflação e a taxa de desemprego nos Estados Unidos. São esses os dois dados que mais influenciam a tomada de decisões dos membros do Federal Reserve, mais conhecido como Fed, o banco central norte-americano. Na última sexta-feira (5), foi divulgado o relatório de emprego dos EUA referente ao mês de julho, e os números vieram muito mais fortes do que o esperado. Foram criados 528 mil empregos na maior economia do planeta no mês passado, mais do que o dobro do que indicavam as projeções, o que fez com que a taxa de desemprego recuasse para 3,5%, de 3,6% no mês anterior. Com os dados revelando uma surpreendente resiliência do mercado de trabalho norte-americano, diminui o receio dos investidores com a recessão, o que tenderia a trazer alívio para os mercados em tempos de normalidade. Contudo, é aí que entra em campo o outro fator relevante que precisa ser levado em consideração: a inflação. O banco central dos EUA tem um mandato duplo, ou seja, deve prezar ao mesmo tempo pelo combate ao desemprego e à alta da inflação. Contudo, as medidas que o Fed pode adotar para combater a inflação tendem a gerar mais desemprego, enquanto as medidas que viabilizam a redução do desemprego tendem a provocar a alta da inflação. Dessa forma, o BC dos EUA anda sempre na corda bamba, tendo que manter o equilíbrio entre esses dois elementos inconciliáveis. Tendo em vista a disparada da inflação nos últimos meses, o Fed tem adotado medidas com o intuito de perseguir a estabilidade dos preços, aproveitando o bom desempenho do mercado de trabalho desde a reabertura econômica. A mais relevante dentre essas medidas é a alta dos juros, que tem se intensificado conforme os preços não dão sinais de recuo. A alta dos juros tende a reduzir o consumo e a atividade econômica, provocando a desaceleração da inflação e o consequente desaquecimento do mercado de trabalho. Portanto, quanto menor o desemprego e mais fortes os dados trazidos pelo relatório de emprego, maiores são as chances de o banco central dos EUA manter ou acelerar o ritmo de alta dos juros ao longo das próximas reuniões —e isso não é bom para as Bolsas de Valores. Leia no 'Investigando o Mercado' (exclusivo para assinantes UOL, que têm acesso integral ao conteúdo de UOL Investimentos): informações sobre o resultado do segundo trimestre do banco Bradesco. Um abraço, Rafael Bevilacqua Estrategista-chefe e sócio-fundador da Levante ********** NA NEWSLETTER UOL INVESTIMENTOS A newsletter UOL Investimentos mostra quais ações estão na xepa da Bolsa, baratas, com a instabilidade econômica, e o que se deve avaliar para comprar um ativo neste momento. Para se cadastrar e receber a newsletter semanal, clique aqui. Queremos ouvir vocêTem alguma dúvida ou sugestão sobre investimentos? Mande sua pergunta para duvidasparceiro@uol.com.br. |
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