O esvaziamento das manifestações contra Jair Bolsonaro deixaram claro que as forças políticas de oposição ao governo ou não têm força para puxar o impeachment do ex-capitão, como demonstraram MBL e Vem pra Rua, ou não tem disposição, caso do ausente PT de Lula. Essa é a opinião da colunista Thaís Oyama. A carta do impeachment só entra de fato no jogo quando as ruas rugem, como mostraram as quedas de Fernando Collor e Dilma Rousseff. E o contrário, a ausência de manifestações vigorosas, como lembrou reportagem da Folha de ontem, é capaz de manter de pé mesmo presidentes com alta reprovação nas pesquisas. Mas o esvaziamento das ruas não é a única condição a favorecer a permanência da cabeça de Bolsonaro sobre os ombros. Como lembra um artífice do Centrão, nos processos em que caíram Collor e Dilma, as alternativas de substituição ao presidente recaíam sobre dois nomes "da política", os então vice-presidentes Itamar Franco e Michel Temer. Entenda-se por "da política", entre outras coisas, gente que compreende a dinâmica do Congresso e sabe o que faz oscilar o humor e as convicções da maior parte dos parlamentares. Na visão de lideranças do Centrão, esse não é o caso do vice-presidente Hamilton Mourão. Não havendo ruas nem disposição da base de apoio do governo para matar a sua galinha dos ovos de ouro, Bolsonaro — ao menos enquanto lhe permitirem os rumos da economia— deve se manter onde está, segurando-se nos 24% de apoio dos bolsonaristas incorrigíveis. Na newsletter Olhar Apurado de hoje, trazemos uma curadoria com os pontos de vista dos colunistas do UOL, que acompanham de todos os ângulos a repercussão do noticiário. |
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