Documentos do governo dos Estados Unidos mostram que o país acompanhou de perto a operação da ditadura militar que resultou no assassinato de Carlos Lamarca, capitão do Exército e comandante guerrilheiro cuja morte no interior da Bahia aconteceu há exatos 50 anos. O UOL teve acesso a arquivos dos chamados "disclosed documents" do Departamento de Estado dos EUA, sobre o período da ditadura militar brasileira. Muitos ainda possuem trechos censurados pela National Security Agency/Central Security Service (NSA/CSS).
O repórter Eduardo Reina analisou 18 relatórios, informes, telegramas e comunicados ao Departamento de Estado dos EUA enviados pela representação no Brasil entre fevereiro de 1969 até setembro de 1971. Todos relatam sobre a vida de Lamarca e integrantes de seu grupo, como o então sargento Darcy Rodrigues, além de outras lideranças da VPR e do MR-8. Um dos protagonistas da luta armada, Lamarca havia desertado do Exército aos 32 anos, no ano de 1969, com um grupo que levou 63 fuzis e metralhadoras de um quartel em Osasco, na Grande São Paulo. Líder da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), protagonizou ações espetaculares, a exemplo do sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher, em 1970, que resultou na libertação de 70 presos políticos. Telegrama enviado pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, William Rountree, em 26 de agosto de 1971, mostra ainda que a caçada a Lamarca era acompanhada de perto pelo governo dos EUA. "O DOI-Codi [Destacamento de Operações e Informações - Centro de Operações de Operações e Defesa Interna, órgão repressor da ditadura] organizou operação para capturar Lamarca, e creem que ele agora se encontra cercado, com apenas 40 por cento de chances de escapar ao cerco", escreveu Rountree ao Departamento de Estado em Washington. 
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