Alexssandro Marques do Nascimento, 18; Eryk Bueno Pimentel, 20; e Kelvin Nascimento de Amancio, 22, ficaram dois meses presos por suspeita de roubo de carga após serem encontrados em um matagal, em endereço não informado no boletim de ocorrência, mas que fica atrás da Escola Municipal de Ensino Fundamental Iracema Marques. Com a ajuda de advogados e vizinhos, as famílias dos quatro jovens juntaram vídeos de câmeras de segurança que demonstram que eles não estavam na cena do crime pelo qual foram presos. Também defenderam que parte do relato policial não condiz com um roubo de de carga no bairro. Assim, conseguiram sua soltura. Ontem, o ouvidor da polícia de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, esteve no Capão Redondo e se encontrou com os jovens e seus familiares. "Vocês fizeram o trabalho que a polícia não fez", disse o ouvidor aos pais dos jovens. Alexssandro, Eryk e Kelvin estão em liberdade provisória desde 20 de janeiro e ainda têm algumas restrições de direitos — eles não podem sair das 22h às 6h, por exemplo. Para o ouvidor, casos como o dos rapazes do Capão Redondo mostram como a pobreza é criminalizada no país. "Será que num bairro nobre eles seriam tratados assim?", questionou. Após 20 dias de liberdade, Alexssandro, Eryk e Kelvin ainda sentem o peso da prisão e têm medo da polícia. "Bate insegurança quando vejo uma viatura", diz Eryk Bueno Pimentel. "Tenho medo que eles voltem e façam a mesma coisa de novo", completa Kelvin Nascimento de Amancio.

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